Pular para o conteúdo principal

A caçadora de capitais

Sempre a mesma cantilena. É só isso que eu ouço (tá, não é só isso que eu ouço, mas precisamos de um tom enfático aqui, ok) quase como um mantra sussurrado inconscientemente para dentro de nossos cérebros resignados. Não, não acho que as pessoas - sempre elas, as pessoas - estejam/sejam vazias. Ninguém é vazio, quer dizer, bradar que ''fulano é vazio, cicrana é vazia'' pressupõe uma totalidade, dá a entender que não há nada no fulano e na cicrana - e isso não tem lá muito sentido. Digamos, então, que elas estejam cheias de algo que não nos interessa. Ou já nos interessou, mas agora não tem mais apelo, acontece. Tô só chutando mesmo que todos parecem estar estafados de tanta ''vaziez'', mas por que esse sentimento, se teoricamente ninguém é tão vazio assim? Boa pergunta, eu é que não vou responder.
Er, pensando bem, eu tenho uma sugestão. Não me culpem, tudo isso é fruto de uma incursão perigosa e infantil aos diários de um tal Bourdieu - ele que nos diz sermos feitos de capitais. Somos capital, temos capital, respiramos capital. Somos vivência e isso é tatuagem, não sai. Logo, penso ser natural que sintamos necessidade de capitais que nos preencham, que nos instiguem, que nos atraiam. Eu acho natural, por mais que ache meio assustador também, mas a verdade é que somos bichinhos em busca de sensações que aplaquem nossas errâncias características, portanto, no drama, baby. Essa coisa de falar na primeira pessoa do plural tá ficando meio pedante, até parece que eu sei alguma coisa da vida de vocês. Vou voltar pro singular:

- Prazer, meu nome é volúvel e eu sou volúvel. Eu busco capitais que me alimentem. 

Olha, o que eu tô querendo dizer - talvez bem inadvertidamente - é que a vaziez é só conceitual. Cada um está cheio de alguma coisa e essa coisa nos prende a atenção por um período cuja duração é uma incógnita. E não há por que satanizar isso.  




Auxiliou no post:

Menino Eddie Vedder, com Long nights e No ceiling.  






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

5 ANOS DE BLOG - PARTICIPE DA PROMOSHARE

Hoje, nós da empresa, completamos 5 anos de blog. Vamos dar o play para entrar no clima:                         #POLÊMICA: sempre preferi o parabéns da Angélica em vez de o da Xuxa. O que não quer dizer que eu ame a Angélica, claro, por mim ela pode ir pra casa do caralho. ENFIM, VAMOS CELEBRAR! 5 ANOS DE MERDA ININTERRUPTA AQUI! UHUL, HEIN? Era 22 de dezembro de 2010, estava euzinha encerrando mais um semestre da faculdade de Jornalismo, meio desgraçada da cabeça (sempre, né), entediadíssima no Orkut, quando finalmente tomei coragem e decidi dar a cara a tapa. Trouxe todas as minhas tralhas para o Blogspot e a esperança de mudar alguma coisa. Infindáveis crônicas começaram a ganhar o mundo e a me deixar mais desgraçada da cabeça ainda: sei lá, escrever é uma forma de ficar nua, de se deixar analisar, de ser sincero até a última gota, e isso nem sempre é bom negócio. Mas, enfim, felizmente tenho sobrevivido sem gran...

Por um mundo

         Por um mundo onde velhos tarados nas esquinas transformem-se em Malvinos Salvadores e Jakes Gyllenhaals. Por um mundo onde as bases e demais esmaltes tenham duração infinita e não nos deixem a ver navios. Por um mundo onde as unhas não nos iludam que aguentam qualquer parada e sigam lindamente quadradas, fazendo a inveja alheia. Por um mundo onde pessoas tenham a língua grudada no céu da boca, se pensarem em fazer alguma fofoca. Por um mundo onde as mesmas pessoas não repassem boatos, tampouco aumentem fatos, cuja procedência desconhecem. E, não sabendo, que não falem, apenas mudem de assunto.                       Por um mundo onde moços que nos deixaram levitando de paixão, devido a uma fatalidade da vida, sejam acometidos pela mesmíssima paixão, grudem em nós, nos surpreendam com sua per...

Flores no lamaçal de creme de avelã

Tenho feito um severo exercício de autocrítica nos últimos tempos - exercício esse que, somado a um problema pessoal bem pontual, me deixou sem tesão algum de escrever. Mas voltei para uma transadinha rápida e certeira. Um mea culpa inspirado nos velhos tempos - desta vez sem o deboche costumeiro. Realmente quero me retratar. H á alguns meses, q uando escrevi, estupefata de indignações diversas, sobre youtubers, eu nunca estive tão certa do que escrevia. Sigo achando que o Youtube amplificou a voz dos imbecis e vem cooptando principalmente crianças a uma sintomática era da baboseira - entre trolladas épicas envolvendo mães e banheiras cheias de nutella , criou-se um nicho bizarro cujo terreno é a falta de discernimento infantil infelizmente. Só que foi aí que residiu meu erro: reduzir a plataforma a um lamaçal de creme de avelã - e nada mais. Não me ative ao fato de que ali coexistem muitos canais interessantíssimos sobre os mais diferentes ramos do conhecimento hum ano , inclusive...