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Eu não uso o Tinder

Veja bem, embora pareça, não quero me colocar em uma casta superior de meninas devido ao fato de não marcar presença neste fabuloso e lascivo aplicativo. Eu poderia facilmente instalá-lo também. Segura minha mão aqui e diz que me entende. O que me incomoda é colocarmos a chande de sucesso de nossas vidas amorosas nas garras de um celular, de uma máquina que nem sempre pode ser amigável. Claro que é preconceito, mas, por enquanto, penso que ele tem me salvado de algumas ciladas - sim, Bino, já ouvi histórias. Não é nada do tipo ''encontrei um maníaco sexual sociopata'', são aquelas bizarrices comuns a quem nunca olhou no teu olho, pegou na tua mão, dividiu teu fone de ouvido, riu tua risada. Aquela bizarrice de quem está ali só pela própria lascívia, robôs que nos tornamos. Robôs, pelo jeito, incapazes de olhar para os lados e fazer o acaso. Ai, o acaso...
Escrevendo isso, até parece que eu sou muito romântica. Acho que sou, mas não obviamente romântica, gosto do romantismo como segredo que só duas pessoas sabem, aquela piada interna - nada gritado em timelines, em apelidinhos conhecidos até pelos cachorros da casa. É aquela coisa maliciosa de quem tem um tesouro e fica rindo para desconhecidos na rua. Falando em romantismo (ou falta de), seguidamente me pergunto por que o desespero atrelado ao tal Tinder não me apetece. Nada que me tire o sono, claro, afinal quem manda nesta droga de vidinha sou eu, mas as amigas sugerem, o Zero Hora naquele desserviço que só ele sabe enumera casais que deram certíssimo através da coisa, o mundo conspira, os sábados solitários sem Netflix fazem pensar merdinha....... e aí, tu pensa ''mas e se eu fizesse um?''. Aff, sai pra rua, Bruna. Me re-cu-so. Posso até ser uma trouxa - sei que estão pensando isso - mas, hão de convir, uma trouxa de personalidade.
Sei que as pessoas aderem ao que quiserem, sei que generalização é leviandade, e sei que, embora eu tenha começado o primeiro parágrafo dessa droga dizendo que não quero me colocar como superior, já estou irremediavelmente me condecorando por não ser uma entusiasta do aplicativo. Não há o que fazer. Bem no fundinho, penso carregar resquícios byronianos na alma dos quais não consigo me desfazer - ou não queira, vai saber. A segunda geração faz isso com os impressionáveis e miolos-moles, quem pode me culpar? Não consigo pensar em amor, profundidade e devoção com tanta pataquada tecnológica. Bom, talvez logo eu faça um perfil, só pela zuerinha -  e para me livrar dessa sensação de que está acontecendo uma festa surreal por aí para a qual eu não tenho convite. Por via das dúvidas, dá um match lá na Madame Bovary.


                                                         EAE, TAMO NESSAS CARNE?








   

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