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Sobre a ceifadora e os lúcidos

E aí, proletários? Lendo muitos best-sellers sobre personagens com câncer que resolvem se pegar?

Vocês curtem sofrer, hein? Bom, cada um na sua. Mas que vocês já foram mais exigentes, isso foram.

Perdi um tio maravilhoso, há uns dias, vítima do mesmo mal explorado à exaustão nestes livrinhos muquiranas para entreter adolescentes mijonas. Que me perdoem as mijonas, digo, adolescentes, mas é, sabe. É um consumo muito óbvio, muito pronto. Enfim, foi aí que veio o pânico: eu preciso escrever sobre a ceifadora e tentar afastar essa nuvem de fumaça que parece estar rondando os meus. Nunca escrevi sobre ela - ao menos não com envelope endereçado, bonitinho e coisa - e a verdade é que nem sei se quero lhe dar uma sobrevida no presente blog, tô confusa, eis a questão. Queria tanto escrever que tô confusa e que essa confusão pudesse me absolver, mas sei lá. Tô me sentindo sei lá, acuada, pensativa, com medo de me encarar no espelho.
É dela, da ceifadora, a incumbência de nos torturar, sorrateiramente, nos embebendo em remorsos das mais variadas naturezas, com a questão-mor de nossas vidas: estaremos, nós, usando este tempo útil na terra de forma digna? Estaremos, de fato, aproveitando a existência? Que coisa desgraçante pra cabeça, não recomendo que façam isso. Porém, o trunfo dos pensamentos é esse: têm vida própria. E quando querem vir, vêm, donos de si, arrasando com qualquer calmaria. Ah.. essa foi boa, que calmaria?
São tempos diabólicos, mesquinhos, tecnológicos e enojantes demais. E provocar o discernimento, pensando de forma crua neles, somente piora tudo. Só sei que, eu pelo menos, não vou alcançar um pouco de paz de espírito, dando audiência aos livrinhos acima já esnobados. Me poupa, mundo, me deixa respirar!!!


Lúcido deve ser parente de lúcifer
A faculdade de ver deve ser coisa do demônio
Lucidez custa os olhos da cara


Viviane Mosé








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