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Verborragia III - O que eu sou mas talvez nem tanto, agora já nem sei

Frequentemente, me pergunto que tipo de ideia passo na internet, aqui no blog mais precisamente, porque, vocês sabem - e não adianta torcer o nariz -, somos atores sociais. A gente se reinventa bastante dependendo das circunstâncias. Eu fico nessa noia e me questiono, tipo ''naquela postagem fui muito babaca'', e, na real, eu tô mais é pra um animalzinho com a pata quebrada atrás da moita. Não sei se minhas palavras sempre condizem fielmente com o que eu sou, isto é, eu tenho certeza de que sou uma pessoa afável e boa de se estar perto, mas possivelmente não me venda assim muitas vezes. É a lua em Áries, certamente. Odeio vendas.
Eu só queria mostrar meus textos pra blogosfera, minhas impressões e o modo como junto os períodos pro mundo. Fazer uns eufemismos gostosos como quando o pé amortece e a gente fica evitando o desconforto, até que é preciso colocá-lo no chão. E também brincar com a possibilidade infinita das hipérboles, pois, desde que eu escutei nos anos 90 que o Cazuza trouxe mil rosas roubadas, isso me ganhou de um jeito único. Sou louca por figuras de linguagem, e o exagero como piada me motiva. Eu fico pensando, claro que sim, no que acham que eu sou. E a verdade é que eu sou absurdamente inofensiva. Eu sou impressionável num nível pateticamente ingênuo. Eu não levo quase nada a sério e me estrepo por isso. Eu sou intensa mas nem sempre coloco isso pra fora: tive a certeza de que isso me deixou doente há uns três anos. Eu sou ciumenta de coisas bobas, mas tento fingir que sou descolada. Eu sou uma orgulhosa cretina - nem sempre também, porque quando tiro pra esfregar o rostinho do amor-próprio na sarjeta... meu amigo, devo ser insuperável. O talzinho é uma parábola ótima. É bom ter, mas até ali: daqui a pouco você já tá ''se achando'' e fazendo inimizades sem sequer ter saído de casa. O ser humano é fabuloso, adoro. 
Nunca comento em fotos de amigas que elas estão lindas, ainda que elas estejam lindíssimas. Nem gosto que comentem isso nas minhas, por mais que, de fato, eu esteja. Acho lisonjeiro. Demais. Irritante. Pernóstico. Demais. Nem precisa. Mamãe já me acha um arraso de moça. E quem quiser comer, vai dar um jeito. Eu sempre fui da bagunça, daquilo que ninguém espera, da provocação. Eu gosto de dar uma chacoalhada na vida, de gente que não se leva a sério. Mas talvez eu erre bem mais sendo assim. E os erros sempre voltam para fazer um terrorismo digno. 
Eu furo programas com amigos pra ficar dormindo. E eu entendo perfeitamente quando isso acontece de volta, porque dormir é um direito sagrado que deveria estar previsto na carta magna do país. Eu realmente acho que nunca vou enjoar de Friends e espero: seria péssimo se isso acontecesse, nada mais faria sentido. Eu sinto um misto de satisfação e humilhação ao constatar que danço igual a um minhoca com lordose. Eu enrolo para tomar remédios e, dependendo da situação, minto que os tomei. Eu já decidi que não quero ter filhos, mas acho que isso vai mudar quando eu amar loucamente algum cara e for correspondida por ele, quer dizer, a vontade de eternizar o gene amado deve ser uma propensão biológica, não sei. Comecei a reconsiderar porque finalmente coloquei na cabeça que o amor é uma força poderosa. Mas isso só vai ser possível quando eu parar de olhar somente pro meu umbiguinho feio, não posso esquecer. Só vai ter sementinha se for de arrebatar. Eu adoro matar baratas, chego a persegui-las. Adoro mudar meu cabelo, por mim eu andaria com uma peruca diferente a cada dia. Pra mim, não existe bom humor matinal espontâneo - existe robô matinal. Ou sarcasmo matinal, puta merda, amo sarcasmo e gente adepta da coisa. É quase um imã destrutivo, um abismo ornamentado de hibiscos. Não gosto de flores. Se me der uma crise de riso, é mais meu estilo. Do meu clã familiar, sempre fui a mais dramática, chorona, carente, pegajosa, errada, falante, gritona, briguenta, cheia de teorias e musical. E, claro, a mais sozinha.     
Vocês leem meus textos mais que eles, já me acostumei. Aliás, eles não leem, só passam os olhos em sinal de caridade corporativa. Quem me afaga é estranho. Mesmo assim, os amo com paixão e desespero. E agora estou desesperada porque escrevi tudo isso, e vi que ainda não me conheço. 




Auxiliou no post:

Dying - Hole




  
         

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