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Deixem rolar - só que no mudo

Sabe aquele filme ruim? Mas ruim mesmo, de sentir vergonha alheia pelos atores que se meteram numa história tão ridícula? Pois é, fui acometida pelo sentimento repetidas vezes enquanto assistia à última água com açúcar em que o menino Evans se meteu, o tal Playing it cool - "Deixa Rolar" em português. Assim, não é que a comédia romântica tenha que nos virar a cabeça - somos grandinhos, sabemos o que esperar -, mas com o mínimo de borboletas no estômago é de praxe que sejamos brindados, poxa, está escrito no menu da obra (e nossa fome, mesmo que disfarcemos, não é pouca). O fato é que sigo faminta. E com uma certa raivinha, sabe, aquela gana de dar uns sopapos na cara do diretor.
Bom, o Chris dá vida a um escritor que não acredita no amor, porém é recrutado para dar forma a um roteiro romântico que virará filme em seguida. É tipo uma metalinguagem de Chris Evans, percebam. Só que o ceticismo dele dura até conhecer a personagem da Michelle Monaghan (jura!!!) e cair de amores pela bonita, que é comprometida. Até aí, confesso, tinha esperança de que houvesse uma boa complicação, mas que nada. No desenrolar da trama, a sensação que dá é que não há acaso nenhum. A sensação que dá é que ela tá fazendo um favor em sair com ele. Ué, mas eles não tinham que mostrar um interesse mútuo? Faltou química. Nossa, falta demais. Me contrata por cenzinho que eu olho pra ele com mais paixão que ela em todas as filmagens. Penso estar sendo prolixa ao explicar minha frustração, mas é como se eles fossem completos estranhos, é como se eles estivessem atuando com preguiça e loucos que aquilo acabasse logo. Aff, aceitem minha prolixidade e não desistam de mim.
Sei que é chover no molhado praguejar comédia romântica, visto que elas sempre são um amontoado de clichês, mas convenhamos: há umas deveras queridinhas no mercado do amor hollywoodiano, como 10 Coisas que Eu Odeio em Você, Encontro de Amor, De Repente é Amor, O Diário de Bridget Jones (Bridget que, aliás, já dissequei aqui), Um Lugar Chamado Notting Hill, Uma Linda Mulher, blá, blá, blá, entre outras. Poderíamos até citar também o exemplar péssimo porém didático de Maluca Paixão, resenhada nestas bandas, na qual é possível uma identificação bizarra e assustadoramente crível, por mais louco que isso pareça. Rola, né? É cinema, acontece. Mas, na minha humildinha opinião, não é o que vemos no filme em que somos convidados a deixar rolar. Nem o talento a saúde do Evans salva - e olha que eu só comprei a ideia por ela (mentira, dá pra fantasiar legal com aquele corpo magistral esculpido nas profundezas do inferCALA A BOCA, BRUNA). O filme é chato, enfadonho, sem nexo, sem clima, sem vida. O casalzinho pode até estar vivo na tela, porém não fui informada. O único beijo entre os dois em 89 minutos de ação acontece numa arara de cartões de aniversário no supermercado. Tenha dó! Nem o mais realista dos realistas resiste a tanta sobriedade. Faltou cupido flechando, sei lá eu. Em suma, meus carentinhos, até deixem o filme rolar, deixem mesmo. Só que no mudo.




Oras beijo no mercado!!! Meu leonismo não aguenta tanta mundanice, Evans.






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