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Sobre chifres


- O desgraçado tá me traindo, Bruna!!! Não é possível!!!
- Calma, fulana, não te precipita, quais tuas fontes, indícios disso?

Repórter sempre reportando, né, acho hilária a falta de tato. 

- Tu acha que eu sou trouxa, Bruna? Eu sei bem, ainda mais depois daquela conversa em q...
- Achar, assim, até não acho, mas tu tem uma cariiiinha meio...
- OTÁRIA
- Só pra descontrair, miga, eu também sou trouxa, por isso nos damos tão bem. Trouxice é uma irmandade. 

Silêncio.


Penso que ninguém está imune ao chifre - esta instituição que atravessa os séculos - ainda mais hoje em dia, em tempos de redes sociais e microblogs, extensões de nossos corpos e mentes que interessam meio mundo. É como se a instantaneidade dessas relações modernas - em que praticamente nos fartamos neste buffet de sexos - potencializasse a lascívia que nos habita. Eu tenho pra mim que a gente ainda vai ser chifrado pra caralho. Claro, os alguéns que ainda querem relacionamentos monogâmicos. E, não, do fundo do coraçãozinho que vive neste tórax niilista, não estou sendo irônica - não dessa vez. Só acho que a configuração e a ambiência da modernidade e dos nossos anseios sexuais têm nos levado a isso, a esse caos de sentimentos e pernas. Que horror, cadê Chapolin nessas horas?
É claro que esse problema perpassa coisas como caráter, respeito, fidelidade, confiança, enfim, coisas que, mesmo que paguemos de blasé, ainda nos são muito caras. Quer dizer, imagino, logo, escrevo essas palavras com a sensação de quem mordeu aquele comprimido amargo da porra, ou seja, muito da atordoada. Mas, ainda assim, não vejo jeito de me imunizar quanto a essa farra de beijos. Primeiro, porque, dependendo do ângulo, até que é bom. Segundo, porque viver é quebrar a cara. Terceiro, porque o ser humano é babaca. Eu sou, você é, o carinha que tem namorada mas está lá marcando presença no Tinder idem (tu apareceu pra mim, viu, ciclano? um beijão pra família). 
Sabe, isso deve ter uma explicação mais profunda, essa coisa de querer mesmo já tendo, essa coisa de se enganar e dizer no espelho que gosta de quem está do lado, mas que nada, eu quero é o carinha do trabalho. Talvez uma explicação pouco lisonjeira e até meio animalesca, mas ainda assim válida. Talvez enquanto tivermos capital sexual (BOURDIEU, SEU MALDITO, COMO EU TE ODEIO E TE AMO, VEMK, SEU LINDO, VAMO PROBLEMATIZAR), isto nos cegue e nos deixe à margem de qualquer possibilidade de explicação. Talvez só sendo jovem para entender o que passa em nossas cabeças sedentas por sensações, e, como é de se perceber, um monte de gente já foi jovem um dia: a juventude é um vinho doce barato e sua ressaca, indecifrável. Um dia acharemos a resposta, mas, por enquanto, não ria do chifre alheio. Amanhã é você.



''Apesar de você, amanhã há de ter um novo chifre...''

É até poético.




Auxiliou no post:  

So far away - Dire Straits








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