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A gata no fundo da fiorino e a conjuntura sertaneja atual

Credo, esse post sertanejo aí embaixo anda me aterrorizando a existência. Nada contra a cultura sertaneja em absoluto, até porque procedo de uma linhagem muito simpática de caipiras - interiorana que nasci. O pavor reside muito é na questão de em segundos me imaginar em um camarote de uma baladinha #top rodeada de agroboys, vendo quem gasta mais em vodkas e energéticos variados, e no dia seguinte aparecer em alguma foto na página "Os Brutos da Agricultura'', fazendo paz e amor com a palma da mão virada pra dentro. Terror da melhor qualidade. É questão de tempo para o John Carpenter filmar algo bem trash com a temática. ''O ataque zumbi de Munhoz e Mariano no Camaro amarelo'' - já imagino em neon em um universo paralelo por aí.  
Bom, como diz nosso amigo da cerveja artesanal e do post catatônico: vamos abrir os trabalhos. Ou melhor, continuá-lo. Ando postando pouco. Não que eu pense pouco, claro, isso nunca, pensadores de pensações que não levam a lugar nenhum, como eu, não entregam os pontos. Aproveitando o ensejo: até andava muito pensativa sobre os desdobramentos do sertanejo na sociedade atual. Está disseminado, entrou em nossas casas, está no ar que respiramos. Mas isso dá dinheiro, então eu acho é ótimo, viva o empreendedorismo financiado pelas calças apertadinhas do Doug e do Cezinha. Ou do Marquinho e do Pablinho. Ou quem sabe do Thiaguinho e Thieferson, a sensação do momento. Não é de todo mal, alguém precisa ir para a frente nessa vida. Que, então, sejam eles que cantam tão lindamente o amor, jogando a gata no fundo da Fiorino. 
Quem vê essas barbaridades contra esses poetas modernos, deve imaginar que eu falo que sertanejo não é cultura. Ou que odeio o mainstream e quero é pagar de profunda, escutando enlatado para vender imagem de sabichona. Longe disso, meus caros reizinhos do camarote, eu cresci ouvindo sertanejo noventista de raiz, e, olha... até que ele era bem bonitinho, uma graça. Coisas como pegar o primeiro avião com destino à felicidade ou sacar que é o amor que mexe com a minha cabeça e me deixa assim ainda repousam timidamente nessa espécie de coração, não sei bem o que é, que trago dentro. E sertanejo, inclusive essa praga do universitário, é cultura sim - o que não quer dizer que sejamos obrigados a consumi-la, claro. Estou mais interessada é em observá-la, ainda que empiricamente, e ver como consegue pautar discursos que vão de paixão à classe social - principalmente classe social. Vide os agros, esses maravilhosos que, além de serem audiência maior dos emergentes em questão, são donos dos meios de produção, alimentam nossas famílias e vestem-se todos iguais. Porém com fivelas de ouro, Bruna, é bom frisar.



                                                          Que medo!!!!! 




Auxiliou no post: 

Come on - The Jesus and Mary Chain









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