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Sobre arrancamento capilar, mudar de país e bananas

Eu sei que minha profissão não é grande coisa, assim, sabe, não é lá uma medicina para a qual vocês arriam as calças sem pestanejar, mas bagunça também não é. Pera lá, campeão. O jornalismo flutua num mar de ideologia e técnica quase mimético, sabemos. Falemos, hoje, de alguns desdobramentos infelizmente relacionados a ele, pois me encontro num momento sublime de arrancamento capilar. Sei que pode parecer fácil, sei que pode parecer risível, mas dá trabalho se intitular jornalista, viu? Se você acha que não, largue o microfone, pare de tirar fotos com jornalistas que pagam de celebridade e leia o que titia Bruna tem a dizer, calouro. Não tenho muita estrada na área, mas o mínimo para não ser uma trouxa eu domino, pode ter certeza.
Vivemos uma era desgraçada em que boatos na internet são responsáveis pelo linchamento de inocentes à luz do dia. Era maldita de compartilhamentos infinitos de montagens toscas misturadas a textos de impacto sem contexto algum. Contexto! C O N T E X T O! (soletrem mais uma vez comigo, não vai doer.) Sei que parecer loucura, champz, mas você faz jornalismo às avessas sem querer, ao endossar mensagens cuja validade é questionável. Você engrossa lindamente o caldo da mediocridade. Eu sei, também não aguento mais tanta corrupção, tanto crime, tanto desamor, tanta mudança de cabelo do Neymar Jr., mas não é por isso que eu vou criar um mar de lixo na sua timeline. Sei que #issoéBrasil, mas é a porcariazinha de país adorável onde você nasceu. Quem sabe, na próxima manhã, você não #ACORDA bem longe daqui então? Que tal no inferno? Ah, claro, leve as #hashtags com vossa senhoria. 
Olha, e não é preciso ser muito esperto para perceber algumas coisas. Buscar politização é bem mais que defender este partido político em detrimento daquele outro. Somos seres políticos, temos uma vivência arraigada em traumas passados. Como diria John Donne, nenhum homem é uma ilha. É muito fácil tirar foto com uma banana e exaltar igualdade, mas se recusar a discutir cotas étnicas em universidades públicas, por exemplo. É muito fácil desmerecer centenas de jornalistas comprometidos que leem sobre filosofia, sociologia, economia, linguística, semiótica, história e o diabo a quatro, e dizer que ''qualquer um faz isso''. Você, leigo com síndrome de compartilhamento aguda, me fere de morte quando fala que nós não temos voz para nada e obedecemos cegamente a determinada linha editorial. Se mude pro estrangeiro logo, faça o favor.



Auxiliou no post:

Para o diabo os conselhos de vocês - Os Condenados 




   

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