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Sobre a linguagem do coração partido do Nick

Ando encantadíssima por um filme que eu vi, há uns dias, pessoas. Fala sobre rejeição, amor bandido, superar um rosto, essas coisas que fazem sofrer. Creio, aliás, não se tratar de um blockbuster americano característico, pois nunca vi passar nos telecines da vida, entretanto, para mim, não deixou a desejar: Language of a Broken Heart (2011) é suficientemente existencial do jeitinho que eu gosto. E rende uns risos não óbvios - só porque o protagonista é um chato bem engraçadinho.
Chamei o moço de chato, mas que nada, ele é um tipo que deveras me agrada: Nick é um escritor que foi traído pela namorada e por quem ainda é loucamente apaixonado. Ele transita entre um amor lírico juvenil e uma obsessão teimosa. Sua ex, por sua vez, deixou de amá-lo, porque sim, porque enjoou dos dramas inerentes a sua carne e pele - logo, foge dele. E como foge. Não sei se meu senso de humor é meio bizarro (claro que sim), mas o fato é que chega a ser engraçado o modo como o boy literato não aceita o fim do romance - ensaiei umas gargalhadas nervosas vendo o sofrimento dele, confesso. Como se ele fosse o retrato do meu próprio ridículo invadindo a tela, da minha parte humana que não cessa, que vaza, ainda que eu seja um animal socialmente domesticável. Enfim...
A partir deste dilema, acontecerão umas sequências bem curiosas de assistir - e uns diálogos do tipo ''Manoel Carlos no Leblon com um pouco mais de sentido''. Aqui, até vai um spoiler: amei o chatinho tocando bateria imaginária num avião, em uma sequência rumo à casa de sua mamãe, a fim de se ''recuperar''. Impossível não pensar que sempre, sejam quais forem as circunstâncias, se envolver é pagar o ingresso do drama com louvor. Alguma hora, vai doer, vai machucar. E vai render algum textinho medíocre de algum blogueiro idiota, pois as palavras precisam ser escritas no calor da hora - senão, perderão a validade. Mas não é por isso que eu e os Nicks espalhados por aí vamos deixar de tentar ler as linguagens dos outros corações que, olha só, estão no mesmo barco.


                                                            HI, STRANGER




Auxiliou no post:

Romance ideal - Paralamas do Sucesso






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