quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sobre as cotas, fome e páginas de merda

É impressão minha ou o país está querendo mudar? Sinto os ânimos à flor da pele. No meu perímetro, vejo muitas reações em virtude da extinção do vestibular da Universidade Federal de Santa Maria, que adotou o ENEM como exame único de seleção, além de ter decidido destinar 50% de suas vagas a cotistas - fato este que veio muitíssimo ao encontro do que sempre defendi. Pode chorar, caro leitor que virá com discurso de ''coitadismo''. Sim, está acontecendo. É um momento lindo para se estar vivo. Quem sabe, estejamos dando alguns passos rumo à indenização legítima de uma etnia que foi sempre marginalizada, não é mesmo? Agora, eles é quem vão sorrir. Eu sorrio também, estou feliz.
Não, meu leitor cerebral e desconfiado, ninguém me pagou para escrever isso. Não tenho o telefone do Genoíno, nem do Lula, tampouco da Dilma. Não sou filiada ao PT, nem faço parte de uma horda de blogueiros buscando demonizar inconscientemente a população com um discurso vermelho inflamado, a fim de instalar uma ditadura barbuda em solo brasileiro. Dá um tempo na TV Revolta aí, champz. O que acontece é uma empatia das brabas com a causa por parte da minha pessoa. Não, não quero pagar de boazinha, até porque não tenho vocação para. Eu quero é pagar para ver. Ver se eu consigo ainda, em vida, desfrutar de uma sociedade, de fato, mais humana e democrática. Mas eu ainda não estou satisfeita, sigo com fome.
Fome de legislações que contemplem minorias. Sim, as mesmas minorias que muitos julgam estarem ''destruindo os valores da família'' - como se a família brasileira fosse um exemplo de pureza e abnegação. Como se eu não tivesse sido criada assistindo, de camarote, às putarias heterossexuais abençoadas da emissora do Marinho. Como se nós não tivéssemos sido criados consumindo, diariamente, discursos militarista, xenofóbico, preconceituoso e fundamentalista desde a tenra idade. Desculpe aí, mas penso que a família já nasceu estragada. A família de comercial de margarina não é tão do bem quanto prega.
São tempos eufóricos estes que estamos vivendo. Não sei é a tal da Copa (imagino que vocês também não aguentem mais ouvir falar nela, assim como euzinha), ou se é porque é ano de eleição. Ou talvez porque vocês não saem do Facebook e só passam curtindo páginas de merda e fazendo perfil junto com os amores, como se fossem gêmeos xifópagos. Não sei, mas tem algo no ar. Por via das dúvidas, que siga trazendo bons ventos.



Auxiliou no post:

It keeps you runnin' - The Doobie Brothers




        

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