Pular para o conteúdo principal

Duas pedrinhas de gelo derretendo no copo

Eu nunca tinha assistido ao filme ''500 Dias Com Ela'', uma vez que não simpatizava com o casal protagonista. Mas o destino, ele age. E, um dia desses, acabei vendo tudinho. Sabe, em meio àquelas sinopses hollywoodianas previsíveis para entreter casais, eu diria que o argumento do filme se sobressai à conhecida cantilena do ''nos batemos na rua, enrolamos mil dias, mas finalmente nos beijamos e ficamos juntos, pois os créditos já teimavam em subir''. Diria também que seguirá originalíssimo por alguns tempos, única e exclusivamente porque fala a verdade. Cretina verdade (essa mania de pensar como uma socióloga da Sorbonne tá me aniquilando aos poucos, mas penso estar tarde para reverter o processo).
Só o fato de a história terminar mal para nosso protagonista, já é um indicativo de que ela vale mais a pena que uma, sei lá, daquelas clássicas com a Sandra Bullock. Nada contra Sandrinha, em absoluto, mas é que a gente vai cansando de comédias românticas, néam, quando se dá conta de que elas não ganham uma sobrevida na vida real. Eu diria mais: quanto pior acabar o filme, melhor ele será. O amor não é hollywoodiano, queridos, ele é um filme francês. E a trilha é ruim.
O texto pode até soar meio dramático, mas que nada. Eu já fui Tom Hansen, assim como já fui Summer Finn. E essa reciprocidade imediata assim que os olhos se cruzarem não vai acontecer sempre - na verdade, ela não acontecerá nunca, porque a felicidade - nem que seja efêmera - não é gratuita. Claro que vão rolar bons momentos, mas a sensação que vai ficar quando a gente pensar neles, vai ser tipo ''putz, mas eu batalhei demais por isso, hein?''.Os olhos cheios de vivência e olheiras darão o tom no espelho.
O fato é que relacionamentos têm tudo para dar errado - e eles dão. São duas expectativas, dois modos de enxergar a vida, dois róis de expressões sarcásticas, duas dezenas de amigos, dois estilos musicais, dois medos de perder - ou de ganhar - duas bagagens culturais. Duas pedrinhas de gelo derretendo no copo. E elas derretem, logo, não se lembram de sua essência.
Quando duas vidas se tocam, ninguém nunca sabe o que se passa. Ele pode querer dividir a tal vida. Ela pode querer dividir só uma cama. Ele pode querer só uma noite. Ela pode querer um casamento. Ela pode estar desgostosa com uma ex-relação e louca para mostrar felicidade novamente. Ele pode estar se fodendo para isso e não agir como um príncipe. Eles podem estar desgraçadamente sozinhos, mas serem orgulhosos demais para admitir isso. Eles podem estar habitando qualquer lugar dentro de si mesmos, e ainda assim serem mais inatingíveis do que parecem. E é isso, não há por que demonizá-los.


Ps: Que agonia aquela criatura Deschanel atuando. Qual é, mina, você tem 13 anos? Dispensável o clichezinho do ''sou uma garotinha-problema, não se apaixone por mim, seu banana''.

Ps²: Passei o filme inteirinho pensando que o Joseph Gordon-Levitt ainda estava encarnando o gurizinho bonachão de ''10 Coisas que Eu Odeio em Você''. Na verdade, não consigo associá-lo a outro papel. Cameron deixou marcas.




Auxiliou no post: 

Hook - Blues Traveler




  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

5 ANOS DE BLOG - PARTICIPE DA PROMOSHARE

Hoje, nós da empresa, completamos 5 anos de blog. Vamos dar o play para entrar no clima:                         #POLÊMICA: sempre preferi o parabéns da Angélica em vez de o da Xuxa. O que não quer dizer que eu ame a Angélica, claro, por mim ela pode ir pra casa do caralho. ENFIM, VAMOS CELEBRAR! 5 ANOS DE MERDA ININTERRUPTA AQUI! UHUL, HEIN? Era 22 de dezembro de 2010, estava euzinha encerrando mais um semestre da faculdade de Jornalismo, meio desgraçada da cabeça (sempre, né), entediadíssima no Orkut, quando finalmente tomei coragem e decidi dar a cara a tapa. Trouxe todas as minhas tralhas para o Blogspot e a esperança de mudar alguma coisa. Infindáveis crônicas começaram a ganhar o mundo e a me deixar mais desgraçada da cabeça ainda: sei lá, escrever é uma forma de ficar nua, de se deixar analisar, de ser sincero até a última gota, e isso nem sempre é bom negócio. Mas, enfim, felizmente tenho sobrevivido sem gran...

Sobre "Ratatouille"

           Já deveria ter escrito algo a respeito de Ratatouille e esse fascínio que causa em mim, mas só hoje levei o impulso adiante. Pois então, digo que ele é uma delícia, é uma lição de vida, é uma graça, é charmoso, é inteligente, é bem roteirizado, é mais que uma animação e muito mais que um filme "de bichinho" para distrair numa tarde chuvosa. Quando a ótima Isabela Boscov afirma que se trata de “uma odisséia com um rato” , não há exagero: há um fato irrefutável. Rémy e suas peraltices com os ingredientes são um soco filosófico na boca do estômago, seguido de recuperação lenta. Muito lenta.            Não sei se vocês já viram, gostaram ou tiveram vontade de jogar o DVD no lixo, após os créditos aparecerem na TV. Só penso que, se houver ainda um pouquinho de sonho latejando em vossos corações, será impossível não se envolver com a saga do tal Rémy na busca de ...

Curiosidades agridoces

Como há um público muito seleto que clama por entrevistas aqui neste espaço, aqui vai uma EXCLUSIVA, feita pela produção do "Garota Agridoce" com a mina agridoce, Bruna Daniele Castro, diretamente do Castelo de Caras.  Um luxo só. Confira! Qual a sua lembrança de infância mais remota? Eu fingindo que tava dormindo pra não ir ao jardim de infância de manhã, nos idos de 95. Me achava muito esperta. Aí, como meus pais eram coniventes com meu soninho rebelde, eu ia no horário da tarde e as freirinhas sempre me repreendiam. Lembro até hoje “Bruninha, tu não estás no teu horário..’’ (risos) Maior ídolo na adolescência? Sei lá... acho que o Freddie Mercury, pela intensidade e magnetismo. E teve aqueles gurizinhos de boy bands , claro, peguei a fase áurea do KLB, logo... Onde você passou as suas férias inesquecíveis? Bah, quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, ia pra uma fazenda de uns conhecidos da minha vó materna. Só hoje vejo o quanto aquele tempo era fabuloso. O ver...