Pular para o conteúdo principal

Clube da Luta

Desde que comecei com minhas abobrinhas, venho negligenciando Fight Club, então vamos lá. Que senhor nó na cabeça. É bem verdade que, 15 anos após seu lançamento, a sinopse sobre dois marmanjos que resolvem trocar uns socos a troco de nada parece ser a preferida de 11 entre 10 adolescentes revoltados com a existência e o preço do lanche do colégio. Porém não sejamos levianos: tem profundidade das boas no filme de David Fincher. Tem profundidade demais - demais - naquela carinha linda e cheia de hematomas do Jack.
Na história, nosso narrador - que até então não tem nome -, interpretado pelo ótimo Edward Norton, é um analista de seguros extremamente consumista e de saco cheio. Sua gana de adquirir o último catálogo da Macy's é diretamente proporcional ao seu niilismo diante da vida e do seu lugar no mundo. Com um pequeno detalhe: ele sofre de insônia galopante. Por conta deste problema, o jovem vai acabar conhecendo umas figuras bem curiosas, como uma tal Marla Singer (Helena Bonham Carter), moça com sérias tendências suicidas, além de Tyler Durden, um vendedor excêntrico de sabonetes - papel que coube a um Brad Pitt deveras bronzeado e robusto. A partir daí, esta turminha vai aprontar altas confusões na sua sessão da tarde. Tá, sério. Mas vai rolar uma complicação... hum, fodidaça. Na primeira vez em que assisti, jurei ter perdido algo. Deve ser uma sensação recorrente a todos que embarcam sem anestesia na psicodelia fincheriana.
Gosto de imaginar que Clube da Luta é o gêmeo bivitelino de Beleza Americana, aquele deboche maravilhoso orquestrado por Sam Mendes e, coincidentemente, também lançado em 1999. Caricatos? Pode até ser, mas não menos verossímeis. Mais verossímil ainda é o semblante desesperado e esquálido do Jack, porque é o mesmo que o meu, em franca ascendência rumo ao nada com 20 e quase todos. Sem dramas, sabemos bem o que vivemos, mas não deixa de ser corrosivo enxergar-se com tanta exatidão. ''Você compra coisas que não precisa com dinheiro que não tem para impressionar pessoas de que não gosta'' é a lápide de uma geração. Sempre será genial viver se dando tanta importância enquanto existirem vitrines e outdoors.
Clube da Luta é muito mais que um filme sobre socos e rostos desfigurados pela ânsia de se sentirem vivos. E é perturbador, porque mexe com a inércia de toda uma modernidade presa em estereótipos. Nós não somos espertos. Estamos condenados a ser quem somos e esse é o pior castigo.


            Ora Brad Pitt.... só tenho olhos é pra esse magrelinho sociopatinha awn





Auxiliou no post: 

Buddy Holly - Weezer







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

5 ANOS DE BLOG - PARTICIPE DA PROMOSHARE

Hoje, nós da empresa, completamos 5 anos de blog. Vamos dar o play para entrar no clima:                         #POLÊMICA: sempre preferi o parabéns da Angélica em vez de o da Xuxa. O que não quer dizer que eu ame a Angélica, claro, por mim ela pode ir pra casa do caralho. ENFIM, VAMOS CELEBRAR! 5 ANOS DE MERDA ININTERRUPTA AQUI! UHUL, HEIN? Era 22 de dezembro de 2010, estava euzinha encerrando mais um semestre da faculdade de Jornalismo, meio desgraçada da cabeça (sempre, né), entediadíssima no Orkut, quando finalmente tomei coragem e decidi dar a cara a tapa. Trouxe todas as minhas tralhas para o Blogspot e a esperança de mudar alguma coisa. Infindáveis crônicas começaram a ganhar o mundo e a me deixar mais desgraçada da cabeça ainda: sei lá, escrever é uma forma de ficar nua, de se deixar analisar, de ser sincero até a última gota, e isso nem sempre é bom negócio. Mas, enfim, felizmente tenho sobrevivido sem gran...

Por um mundo

         Por um mundo onde velhos tarados nas esquinas transformem-se em Malvinos Salvadores e Jakes Gyllenhaals. Por um mundo onde as bases e demais esmaltes tenham duração infinita e não nos deixem a ver navios. Por um mundo onde as unhas não nos iludam que aguentam qualquer parada e sigam lindamente quadradas, fazendo a inveja alheia. Por um mundo onde pessoas tenham a língua grudada no céu da boca, se pensarem em fazer alguma fofoca. Por um mundo onde as mesmas pessoas não repassem boatos, tampouco aumentem fatos, cuja procedência desconhecem. E, não sabendo, que não falem, apenas mudem de assunto.                       Por um mundo onde moços que nos deixaram levitando de paixão, devido a uma fatalidade da vida, sejam acometidos pela mesmíssima paixão, grudem em nós, nos surpreendam com sua per...

Flores no lamaçal de creme de avelã

Tenho feito um severo exercício de autocrítica nos últimos tempos - exercício esse que, somado a um problema pessoal bem pontual, me deixou sem tesão algum de escrever. Mas voltei para uma transadinha rápida e certeira. Um mea culpa inspirado nos velhos tempos - desta vez sem o deboche costumeiro. Realmente quero me retratar. H á alguns meses, q uando escrevi, estupefata de indignações diversas, sobre youtubers, eu nunca estive tão certa do que escrevia. Sigo achando que o Youtube amplificou a voz dos imbecis e vem cooptando principalmente crianças a uma sintomática era da baboseira - entre trolladas épicas envolvendo mães e banheiras cheias de nutella , criou-se um nicho bizarro cujo terreno é a falta de discernimento infantil infelizmente. Só que foi aí que residiu meu erro: reduzir a plataforma a um lamaçal de creme de avelã - e nada mais. Não me ative ao fato de que ali coexistem muitos canais interessantíssimos sobre os mais diferentes ramos do conhecimento hum ano , inclusive...