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Xenofobia às avessas

(A disciplina de Mídia e Cultura Brasileira expandiu meus horizontes nesse semestre. Acompanhem esse artigo, feito com carinho sobre um assunto discutido em aula e que deveria interessar a todos vocês.)


A sociedade brasileira evidencia-se por uma incrível síntese de origens. Ainda que tal afirmação possa remeter à desordem, há certa coerência em seu conteúdo, uma vez que, enraizado, no seio da colonização portuguesa, o solo tupiniquim abriga os mais variados troncos provenientes da terra de Cabral.
É muito simplista aqui, entretanto, voltar as atenções apenas a essa irrefutável riqueza cultural. O que se discute no momento é o fato de haver várias facetas de um povo que carrega profundas heranças, muitas, fruto do domínio imperialista. No artigo "Plural, mas não caótico", do historiador Alfredo Bosi, vemos bem esse conflito de conceitos. Enquanto uns insistem em manter a solidez do legado português e daquilo que ganhou forma, genuinamente, no país, outros preferem marginalizar as expressões nascidas aqui para reverenciar uma cultura estrangeira, fortalecendo a máxima de que "só o que é de fora tem valor" e cultivando o poder simbólico que advém desse consumo. 
Trata-se de um controle, ainda que velado, de países tidos como superiores intelectualmente. Quantos de nós já não "encheram a boca" para falar de algum filme norte-americano e de seus fantásticos efeitos hollywoodianos, em detrimento de tantos outros bons filmes nacionais - em sua maioria, incompreendidos em sua estética original? Podemos, obviamente, justificar essa atitude como sendo natural, uma vez que lá dispõe-se de mais recursos, além do inegável glamour, porém isso nada mais é que ignorância coletiva. Enquanto houver essa "xenofobia às avessas" e eterna relutância em ver graça no que há de bonito ganhando forma na pátria, dificilmente, haverá compreensão do que se é e do que se pode esperar dela. 
É fato que uma cultura incrustada em um histórico de exploração e submissão sempre será renegada pela maioria. Contudo, insisto que devemos cultivar mais tolerância e espírito contemplativo, se quisermos um olhar renovado diante do que parece tão obsoleto e pequeno.




  

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