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Fanática por mim

         Ando pensando nessa história de ser ''fã'' de algo. Que coisa estranha, hein? Geralmente, dispensamos devoção cega a pessoas das artes, sejam músicos, atores, diretores, pintores, malabaristas ou palhaços de circo. Whatever, a gente gosta porque gosta. Eles lá na deles, mal desconfiando da nossa singela existência fanática e cheia de amor para dar, e nós, aqui, no limbo do ostracismo, amando, brigando por eles, indo aos shows e gritando histericamente. Gritando histericamente! Por pessoas que nem nos conhecem! Parei e me vi imersa no absurdo da situação. Creio que esteja faltando calor humano na coisa, hein, honestamente...
         , eu sou fã de um monte de gente por aí. Sou fã do Freddie e dos outros incríveis do Queen, sou fã do Meu Amor Buarque, sou fã do Heródoto Barbeiro, sou fã do Lamarca, sou fã do Christian Bale e do Steve Martin. Sou fã da Amanda Peet, aquela fofa. Sou fã dos filmes do Almodóvar porque eles me perturbam e me fazem ver que tentar controlar a vida é uma baita besteira. Sou fã das letras de Gabi, O Pensador. Sou fã dos filmes da Nancy Meyers pois aquele ''arzinho natalino'' daquelas histórias dela são um prato cheio para o meu lado carentão e sonhador aflorar. Sou fã de comédias que não parecem comédias e me fazem rir loucamente, pois eu não esperava que fosse rir de situações tão milimetricamente roteirizadas e sem graça. Sou fã de um bom rock no último volume para exorcizar fantasmas. Definitivamente, sou fã de música e papos gostosos com pessoas desencanadas e sagazes. Definitivamente, sou fã dos errados: quem paga de certinho me dá certa náusea e um cadinho de sono.
         Eu também sou fã de mães solteiras que criam seus filhotes sem perspectiva nenhuma em meio a comentários maldosos de gente desocupada, e tentam dar um futuro àquelas crianças concebidas ao acaso. Sou fã de pessoas que nascem em condições sociais de extrema penúria, e, mesmo assim, conseguem viver dignamente, estudando, trabalhando, prosperando, criando alternativas e, principalmente, contrariando a sina brasileira de ter nascido "sem eira nem beira". Sou muito fã de gente honesta e que - ainda que não tenha a pretensão de mudar o mundo - preza por dignidade em suas relações - sejam elas afetivas, comerciais etc. Sou fã de pessoas autênticas que não se prendem a estereótipos e tendências esdrúxulas, e vivem por aí, no seu completo anonimato, sendo elas mesmas na delícia de serem elas mesmas. Sou fã da galera que - mesmo vivendo em meio a esse arsenal esquizofrênico de tecnologia - cultiva hábitos simples e ainda frequenta bibliotecas e pracinhas fofas para namorar. Minha bagagem fanática - como podem ver - é enorme, mas ainda não comecei a ''adular'' a verdadeira homenageada da noite...
          É, sou eu. Sabe, eu ando meio abismada com os meus feitos. Não é fácil ser Bruna Daniele, não, meu povo. Cheguei à conclusão de que sou uma entusiasta de mim mesma - ainda que, claro, eu queira me esbofetear vezenquando. Tudo isso, pois no fundinho, eu sou minha única opção real de superação. Sou muito fã de mim, porque naquela noite - em que eu tinha tudo para desabar chorando - eu coloquei um puta sorriso falso no rosto e até que me senti melhor. Sou fã de mim, porque eu não desisto dos meus textos, mesmo quando eles não andam de jeito nenhum - tipo esse aqui, que tava mofando nos meus rascunhos. Sou fã de mim, porque eu sei do meu melhor e do meu pior, e pago a conta - ainda que sob um custo emocional altíssimo. Sou fã de mim, porque eu aprendendo nessa longa estrada da vida a me sentir de verdade. Sou fã de mim porque, sabe... para me aguentar... só eu mesmo. Eu e eu nunca fomos tão amigos.





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