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Relato piegas


         Vou contar um segredo procêis: eu sou piegas pacaraleo. Uma chorona, vivo fazendo draminha à la Paulina Martins em A Ususrpadora. Super acredito em princípios, valores, amo um idealismo furado. Enfim, uma otária completa. Goethe e seu jovem Werther, por exemplo, me fazem entrar em profunda catarse. 
          Em se tratando do amor, por exemplo. Ahhh... o amor! Essa pulguinha atrás da orelha insistente. Sou tão piegas, que, por mim, nunca, jamais, em hipótese alguma, haveria desencontros. Tipo aqueles sobre os quais, meu Poetinha escreveu... nanana, não haveria sofrimento, nada de dores-de-cotovelo e vontade de chorar baldes. Na maternidade, nasceríamos com um itinerário amoroso e estaríamos fadados a viver algo verdadeiro: não passaríamos a vida inteira dando topadas na parede, insistindo em relações, ou, vá lá, platonismos que só nos machucam. Lindo de ver, almas gêmeas seriam uma realidade. Bateu o olho, foi correspondido, amou de verdade, ficou a vida inteira. Simples assim.
          Não tô usando drogas, meus caros. Mas essa história de histórias insistirem em acabar e fingirem que nunca foram uma história é uma coisa chata, que muito me fragiliza. Deve ser culpa das novelas mexicanas e seus amores teatrais e arrebatadores que eu vivia assistindo quando criança. Mas, dia desses, quando vi duas pessoas – conhecidos meus – e que já foram um casal deveras lindo, tratarem-se com uma frieza protocolar e cirúrgica, senti um puta vazio, uma vontade de mandar um e-mail para a assessoria de imprensa do mundo e dizer que tudo errado. Mals aê a deselegância, mas bela porcaria isso onde a gente tendo que viver, hein? Deem um jeito ou me mudo. Duas pessoas que já trocaram tantos carinhos, partilharam tantos risos, tantas ideias, souberam tanto um do outro, agora, tendo que viver como se fossem completos estranhos. Palavras cordiais, sem paixão, sem segundas intenções, olhares sem vida, apáticos, tentando negar um passado. Não sei por vocês, mas isso me comove. Se não durou, era tudo mentira? As palavras eram encenação? E por que foram ditas? Por que acabou? Amor acaba? A piegas, além de se comover, não tem resposta para nada. Bela repórter me saio.
          Termos como ''a fila anda'' e genéricos me desagradam um bocado. Me incomoda esse rodízio de pares, até parece que é muito fácil conhecer alguém verdadeiramente nessa vida: conheci fulana, ela é legal, conheci ciclano, ele curte jazz como eu. Santa ingenuidade. Não gosto desse clima de selva sentimental a que estamos expostos, em que ninguém é de ninguém e todos agem como se tivessem fazendo ''suas filas andarem numa eterna busca por algo melhor''. Se até hoje não me conformo com a separação do Brad e da Jennifer, imaginem vocês como me sinto com as separações que acontecem ali na esquina. 



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