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Acabou irritare (mentira)

Estava aqui de boa, sendo Bruna e fracassando, quando comecei a pensar no quanto somos impelidos a irritar. A sermos irritantes. Como se isso estivesse nato em nós: a arte de irritar. Claro, por mais que nos esforcemos em sermos bacanas e tal, no fundo, mas bem no fundo, tudo que a gente mais quer é fazer valer nosso direito de ser irritante, porque, oras, isso é o que fazemos de melhor. Eu também, meu, não estou tirando o meu da reta. Eu devo ser intragável para certas pessoas. Ou não também, vai ver eu estou é me dando importância demasiada. Das questões que sempre serão uma incógnita. Exceto quando alguém estiver bêbado e resolver gritar isso na minha cara, pode acontecer.
Porém, como vivemos sem nos estapearmos diariamente, já que isso é inevitável? Bom, digamos que nós criemos vínculos com irritantes semelhantes a nós, como se nosso talento buscasse uma sobrevida longe do nosso casulo para poder simplesmente existir e se relacionar. Então, temos muralhas que dividem os irritantes que só sabem falar de gatos, os irritantes que postam nas linhas do tempo como se não houvesse amanhã e entopem de porcaria nossos feeds, os irritantes que não se enxergam, vivem a julgar o rabo alheio e escrevem mecanicamente fikdik em frases genéricas, os irritantes que só escutam sertanejo e nos convidam para shows da banda ganhadora do programa musical da Glóbulo, os irritantes que colocam crase antes de palavra no masculino, os irritantes que só sabem falar de Games of Thrones e seriados medievais e nerds chatos pra caralho, entre outros. Só que estou sendo simplista aqui, claro. Nós, irritantes, misturamos variadas características até que fiquemos camuflados. E, misteriosamente, nos reconheçamos: daí são sedimentadas as tribos - se é que eu posso denominar assim. Nossa capacidade de irritar é, simplesmente, um estado de espírito. Repelimos e atraímos com ela.  
Não raro, nossas relações amorosas, por exemplo, ficam desgastadas com o simples exercício de vivê-la. Eu gostava dele, mas, do nada, comecei a implicar com coisas mínimas, como o jeito como ele segurava o copo de cerveja. Engraçado é que antes eu achasse tão sexy o jeito como ele tomava cerveja. Que homenzinho irritante! Acontece nos melhores corações, é inevitável. Todavia, ela, a capacidade irritabilística, pode ser também um catalisador de aproximações. Irritantes que somos, também podemos converter todo um rol de manias irritantes em charme e mistério. Não é uma gracinha o jeito como ele sempre parece ter saído de um concerto de rock, esbanjando vitalidade e lascívia, aquele ser irritante e insuportável? Acontece nos corações mais fascinantes. Ou nos mais cretinos, dependendo do ponto de vista. O que era magia vira mera apatia, ah... que pena.   
Penso eu, que nessa frágil sina de ser irritante - sim, frágil - vamos, então, instintivamente tentando grudar em quem irrita parecidinho com a gente. Ou em quem julgamos irritar parecidinho - vale lembrar que certeza é um bônus que não costuma frequentar todas as mesas de aposta. No fundo, as tentativas são por segurança, por compreensão, por colo mesmo, já que o resto do mundo todo resolveu não nos entender. Bom, eu até escreveria mais um pouco, mas já me irritei aqui. Acabou irritare é nada, estamos fadados a irritar e sermos irritados e irritar e serm....................


Auxiliou no post:

Do the panic - Phantom Planet





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