domingo, 17 de agosto de 2014

Jornalistas Que Se Amam Demais Anônimos

Eu posso estar equivocada, mas acho que jornalista não é celebridade. Assim, não sei qual o tipo de redação lisérgica nas dependências da Disney em que só toca ''Eu me amo'', do Ultraje (certo que o mané do Roger tinha que estar enfiado nisso), que uma galera por aí anda frequentando... mas, olha, há um cheirinho de vergonha alheia no ar. E tá cheirando bem mal.
Não é querer pagar de humildona, sabe, todos possuímos essa maldição chamada ego e por ela nos corrompemos em maior e menor grau, vez que outra, etc, etc, só que, né... bom senso também vem no pacotinho da maternidade. Quer dizer, deveria. Jornalista não pode querer ser mais notícia que a própria notícia.
Não sei se só reparei agora ou se a moda já tá fazendo bodas, mas há um sem-número de criaturinhas fazendo, de próprios punho e sobriedade, páginas de homenagem a si mesmos no Facebook. Sim, tipo, eles pra eles mesmos. É quase uma masturbação virtual-acadêmica. Não satisfeitos, eles têm tido a pachorra de me convidar pra massageá-los neste joguinho excitante de pouco dizer e muito curtir - eles, que pouco se importam com a opinião desta reles jornalista sem página. Sem matéria no clicrbs, querendo saber onde eu passei as férias de inverno. Sem fãs. Sem nada, a não ser meu romantismo maldito por esta profissão madrasta. É só eu que me apavoro com o egocentrismo destes fofos? Assim, me fala baixinho aqui no meu ouvido que também acha bizarro, que também não entende, que também ri dessa autoestima equivocada toda. Acho que eu tenho é inveja do quanto eles se amam - eu, que, entre tapas e beijos, me curto pra caralho até.
Sabe, entre ironias e ironizados, eu realmente fico intrigada. Mesmo. Porque não me imagino me levando tão a sério. Qual é? Jornalista é só um mártir de uma utopia que tira o sono, mas não compensa. Jornalista deveria ser só um tipo bonachão, querendo salvar as pessoas da mentira, da má-fé dos poderosos e dos patrões... jornalista é só um contador de uns causos que emocionam e ajudam a tocar a vida. Sabe? Sem muito glamour, sem muito paetê, sem muita pretensão de ser famoso, sem muita sisudez com ares de grande coisa. Onde foi que tudo degringolou?
Eu sei que falando pra milhares de pessoas diariamente, criando uma rotina produtiva incansável com os abastados e os humildes, é inevitável que o rosto torne-se um símbolo. Não sou ingênua: acho até questão de tempo, afinal, construímos uma relação marcada pelo platonismo com quem muito aparece nas mídias que acompanhamos. Me faltam teóricos pra embasar isso, mas vocês entenderam o que eu quis dizer. Só que, né, galera? Tudo ao seu tempo, tudo de um jeito que não seja forçado. Me permitam uma analogia zueirinha: que seja tipo falar ''boa noite'' pro esposo da Fatiminha. Sem percebermos.




                                                         Desculpa se eu sou muso, tá?




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