quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sobre o dia piadista do falo

Dia do homem, que lindeza. Só parem! Tá feio, tá escroto, tá bizarro. É pouco politizado e inteligente. Vocês podem mais que isso, galera. Eu começo esse texto cheia de reservas, porque, né, ''ai grande coisa comemorar o dia do homem, é só um agradinho pra estes lindos que nos rodeiam, deixa de ser encrenqueira, Bruna'' - sei que é um pensamento recorrente. Ou se não o clássico da geração falsinha e raivosa da internet ''mais amor, por favor'' - como se para espalhar amor, fosse preciso emburrecer e consumir idiotice do senso comum. Amor uma ova, vamos pensar sobre as coisas?
Eu tenho dois homens maravilhosos na minha vida, além de inúmeros amigos, é bom que se diga. Meu irmão e meu pai são dois alentos para mim, não vivo sem, amo de paixão. Só que existe uma diferença oceânica entre dizer isso e sair propagando em alto e bom som que homem merece um dia para ele também, oras, afinal, a mulher tem o dela em março. É uma bobeira retomar isso, mas, sinceramente, vocês sabem o porquê do dia 8? Têm ideia de quanto sangue escorreu para que este dia simbólico e que não tem nada a ver com promoções de depilação e flores existisse no inconsciente coletivo? Penso que até nem era objetivo das operárias de Nova York que morreram no incêndio, essa coisa de entrar para a história e receber de brinde um dia nojento pontuado por ''homenagens'' sexistas e mensagens cafonas, mas ok, assim foi e assim é em todo ano. Só aí já eliminamos a falácia do dia do homem, ele, o homem, que sempre teve tudo. Sempre pôde tudo.
Talvez vocês pensem que eu levo o feminismo muito a sério. Mas, sinceramente, seria no mínimo covarde da minha parte virar as costas a uma geração de mulheres que tomou as ruas, comprometeu uma vida mansa e confortável, a fim de que nós - vocês também, lindas! - pudéssemos fazer o que bem quisermos da própria vida. Isso parece tão longe, que você precisa adentrar uma fazenda de café para visualizar? Olhe para os lados, vejam bem como ainda há diferenças sutis de tratamento entre os gêneros. Olhe como você ainda não pode colocar uma saia curta, usar um batom de cor mais forte, sair sozinha de uma festa, se dar o luxo de não lavar a louça, porque, ops, quem é a menina da casa? Eu nunca vou me voltar contra essas mulheres que lutaram por mim e lutam diariamente para desconstruir paradigmas mesquinhos em que ainda sigo envolta.
No mais, xinguem, escarneçam da minha boa vontade, fiquem à vontade para seguir entupindo minhas timelines de asneira e piadas bobas sobre churrasco, mulher e cerveja alusivas ao dia falocêntrico. Se possível, esfreguem na minha cara alguma tirada daquela página-mor dos imbecis, a Orgulho de Ser Hétero, porque, afinal, vocês podem, a internet é pura democracia e conceito equivocado. Por ora, dei meu recado. E sei que não tô sozinha.




 

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