Pular para o conteúdo principal

Eu não li nada sobre aquele negócio lá na Síria

Vocês querem conhecer a história do Vítor e da Lorena, eu sei. Eu também quero contar, mas vou fazer isso em doses bem homeopáticas. Ou vocês morrem de tédio com a falta de continuidade da trama ou ardem de curiosidade, vou correr o risco. Porém, na postagem de hoje, não tem nenhum dos dois. Na verdade, eu ando meio sei lá com essa vida, sabem? E vim despejar coisas.


Nem sei onde li, mas sei que li por aí que nós, consumidores e receptores, andamos produzindo um absurdo de conteúdo inútil na internet - inclua, por obséquio, meu bloguinho na jogada. Aonde vai o monte de abobrinha que a gente escreve, pessoas? Já pararam pra pensar a respeito? É muito fácil interagir hoje em dia, né? A gente fica se sentindo assim meio superespecial, apto a falar de qualquer coisa, a produzir conteúdo. Conteúdo a um click de ser gerado, é a era da instantaneidade (fiquei meia hora raciocinando pra escrever instantani? cuma mesmo?). Ninguém escreve cartas pro Domingo Legal mais. A gente senta o pau no Twitter, oras! Trata-se de uma época excitante de informação e opinião e críticas e tudo isso vindo de tudo que é lado e das mais bestializantes plataformas e... e... e nós digerindo, e regurgitando isso em forma de conteúdo, em forma de palavras, em forma de sentidos, em forma de impressões acerca dessa porcaria de mundo onde somos obrigados a viver. Só que a gente se lambuza nesse pote de fel da informação. E parece querer cada vez mais mostrar que está, sim, por dentro. Que leu, sim, sobre o aquecimento global. Que escutou, sim, o último cd do Vítor Ramil. Que decorou, sim, o setlist do show do Bon Jovi no Rock in Rio pra comentar sua performance. Que tem acompanhado, sim, o julgamento dos mensaleiros, ora bolas, tá me achando com cara de ignorante e mal informada???? Pra que calar a boca, se eu posso opinar? Pra que segurar meus dedinhos ávidos por reconhecimento cibercultural, se eu posso compartilhar um status mega profundo e inteligente sobre, sei lá, o quanto a Veja é nojenta e tendenciosa? Eu preciso dos louros da vitória, você também precisa. Estudos senegaleses apontam que, quanto mais curtidas e retweets eu tenho, mais guloso eu vou ficando.
Olha, não há nada de errado em ser bem informado, interessante, discorrer sobre variados assuntos, enfim, ter opinião. Nada mesmo, eu a m o pessoas assim, cês também devem ter paixão. Todavia, é aí que talvez resida nosso dilema, caríssimos: vivemos uma era em que falar sobre tudo é requisito indispensável pra entrar no tal mundo feliz, no mundo das ideias onde todos racionalizam e não sofrem. A impressão que dá é que perdemos o trunfo do ''desconhecer'', como se ninguém fosse nos levar a sério se disséssemos que, poxa, não lemos a última edição da Carta Capital. Ninguém mais pode se dar o luxo de simplesmente não saber. Não saber, mas que delícia. Não, eu não sei. Não, eu não quero opinar sobre isso. Não, eu não tenho opinião formada a respeito. Não sei. N Ã O S E I. Não saber? Você está proibido de não saber, filhinho. Penso ser essa loucura atrás de constatações sagazes e sábias, no fundo, fruto da nossa própria insegurança, porque, né? Convenhamos, todos querem ser charmosos e conquistar a geral pelo intelecto, pelo que têm a dizer. Todos querem ser pensantes, e eu também quero, me apavora a ideia de viver à margem desse banquete farto do conhecimento. Só que, né? Isso é ilusão, já que eu não li nada sobre aquele negócio lá na Síria. Me perdoa, mundo, por favor.


Auxiliaram no post:

Blue skies - Jamiroquai
Shine - Laura Izibor









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

5 ANOS DE BLOG - PARTICIPE DA PROMOSHARE

Hoje, nós da empresa, completamos 5 anos de blog. Vamos dar o play para entrar no clima:                         #POLÊMICA: sempre preferi o parabéns da Angélica em vez de o da Xuxa. O que não quer dizer que eu ame a Angélica, claro, por mim ela pode ir pra casa do caralho. ENFIM, VAMOS CELEBRAR! 5 ANOS DE MERDA ININTERRUPTA AQUI! UHUL, HEIN? Era 22 de dezembro de 2010, estava euzinha encerrando mais um semestre da faculdade de Jornalismo, meio desgraçada da cabeça (sempre, né), entediadíssima no Orkut, quando finalmente tomei coragem e decidi dar a cara a tapa. Trouxe todas as minhas tralhas para o Blogspot e a esperança de mudar alguma coisa. Infindáveis crônicas começaram a ganhar o mundo e a me deixar mais desgraçada da cabeça ainda: sei lá, escrever é uma forma de ficar nua, de se deixar analisar, de ser sincero até a última gota, e isso nem sempre é bom negócio. Mas, enfim, felizmente tenho sobrevivido sem gran...

Sobre "Ratatouille"

           Já deveria ter escrito algo a respeito de Ratatouille e esse fascínio que causa em mim, mas só hoje levei o impulso adiante. Pois então, digo que ele é uma delícia, é uma lição de vida, é uma graça, é charmoso, é inteligente, é bem roteirizado, é mais que uma animação e muito mais que um filme "de bichinho" para distrair numa tarde chuvosa. Quando a ótima Isabela Boscov afirma que se trata de “uma odisséia com um rato” , não há exagero: há um fato irrefutável. Rémy e suas peraltices com os ingredientes são um soco filosófico na boca do estômago, seguido de recuperação lenta. Muito lenta.            Não sei se vocês já viram, gostaram ou tiveram vontade de jogar o DVD no lixo, após os créditos aparecerem na TV. Só penso que, se houver ainda um pouquinho de sonho latejando em vossos corações, será impossível não se envolver com a saga do tal Rémy na busca de ...

Curiosidades agridoces

Como há um público muito seleto que clama por entrevistas aqui neste espaço, aqui vai uma EXCLUSIVA, feita pela produção do "Garota Agridoce" com a mina agridoce, Bruna Daniele Castro, diretamente do Castelo de Caras.  Um luxo só. Confira! Qual a sua lembrança de infância mais remota? Eu fingindo que tava dormindo pra não ir ao jardim de infância de manhã, nos idos de 95. Me achava muito esperta. Aí, como meus pais eram coniventes com meu soninho rebelde, eu ia no horário da tarde e as freirinhas sempre me repreendiam. Lembro até hoje “Bruninha, tu não estás no teu horário..’’ (risos) Maior ídolo na adolescência? Sei lá... acho que o Freddie Mercury, pela intensidade e magnetismo. E teve aqueles gurizinhos de boy bands , claro, peguei a fase áurea do KLB, logo... Onde você passou as suas férias inesquecíveis? Bah, quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, ia pra uma fazenda de uns conhecidos da minha vó materna. Só hoje vejo o quanto aquele tempo era fabuloso. O ver...