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Sobre ignorar, ficar quieta e cuecas

Pegando um gancho na postagem em que confessei não saber bulhufas sobre o que ocorre na Síria, vamos analisar a palavra ignorante. Sim, eu sou ignorante quanto aos causos de lá, só sei meio por cima que há um ditador - óbvio - que oprimiu por trocentos anos uma galera, e era isso. Não quis ler mais nada, ando f a r t a, >> farta <<, fArTa destas mesmas coisas de sempre. Ou seja, eu sou ignorante, uma vez que ignoro. Ignorar não é crime, não sei o porquê de tanto pavor em relação à palavra. No fundinho, ignorante é tipo aqueles vocábulos que já incorporaram a sua semântica um estigma pejorativo indestrutível. Ignorante é xingamento. Mas o fato é que a gente ignora, eu ignoro, tu ignoras, nós vivemos ignorando. Na verdade, eu acho uma delícia ignorar, tenho pra mim que é um estímulo a seguir melhorando como pessoa, lendo, sei lá, passando por cima dos meus preconceitos. Não me apavora a ideia de ignorar, mas sim a de sair despejando palavras sobre o que eu desconheço. Ah, aí sim eu fico me sentindo um lixinho humano. Já fiz isso um zilhão de vezes, essa minha língua comunicóloga me trai um bocado. Mas já há uns anos, venho me policiando a respeito, e, olha... tenho feito progressos satisfatórios. Rola um orgulhinho besta de mim, quando, no auge da coceirinha pra falar algo, eu me saio com um "bah, não sei nada sobre isso''. E fico quieta. Sendo uma total imbecil, é possível, aos olhos do meu interlocutor, mas me sentindo um ás da esperteza pra mim mesma - que sou a plateia que realmente importa. As gurias talvez concordem comigo: não é lindinho quando aquele cara que julgamos interessante, em vez de tentar impressionar e vir com aquele discursinho seboso, nos presenteia com uma conversa franca, sem retoques, dizendo, sei lá, que não sabe sobre determinada coisa, mas vai ver algo relacionado??? Humildade é mais atrativa que muita coisa enaltecida às raias da cegueira por aí, arrisco. É sempre um encantamento. Sempre, que desgraça. Não sei como é para os cuecas que me leem - se é que leem - mas deve ser a mesma coisa pr'eles também. Certeza. Sinceridade pode até não conquistar, mas que perturba, isso perturba, nos resgata do comodismo. Assim como quando alguém ignora algo, e não tem medo de gritar isso aos quatro ventos.



Auxiliou no post: 

I see you, you see me - The Magic Numbers





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