Pular para o conteúdo principal

Nem todos querem propaganda de margarina

Dia desses (tipo, ontem), encontrei, por acaso, um cara que foi meu coleguxo nos tempos dos gloriosos -  porém ao contrário - anos de ensino fundamental. Ele empurrava um carrinho de bebê. Com um bebê dentro, por supuesto. Ele não me reconheceu, creio eu, mas eu o reconheci - não esqueço facilmente um rosto, eu poderia ganhar facinho uns trocados desenhando retratos falados. Mas, enfim, fiquei pensando com meus botões. Seria a criança filha dele? Possivelmente. Grande parte da galera que jogou bola comigo na rua, já juntou as escovinhas de dentes e tratou de procriar. Há uns anos, isso me assustava, quer dizer, assumir um compromisso patriarcal com vinte e poucos anos por pressão de sei lá quem me parecia insanidade. E eu chegava a fazer comentários radicais a respeito. Hoje, no entanto, tenho olhos mais tolerantes em relação à pauta. Tolerantes, ok, mas não menos intrigados. Eu ainda me pego pensando no porquê de a ideia genérica de casamento - ou, vá lá, união sem assinar papel - com filhos e papagaio ainda ser vendida como solução de vida feliz a todos os seres da Terra. (Sim, eu sei que vocês já estão me julgando um ser infeliz. Eu sei que vocês estão me julgando. E devem. Só não vale me apedrejar na rua, sim?)
Eu fiquei matutando sobre. Eu fiquei, foi inevitável. Talvez eu tenha sido traída pela imagem, e a criança nem tenha parentesco com ele, vai ver, a criatura só estava ajudando uma desconhecida na rua, que diabos tenho eu com isso? Mas sempre que eu vejo alguém que praticamente cresceu comigo, embebido, tão jovem, em um rol de tarefas, sabidamente, programadas socialmente para manter a ''ordem'', é quase impossível não começar a investigar mentalmente os caminhos que levaram a pessoa a assumir tal postura. Porque o fato, meus caros, é que nem todos sonham em casar, constituir família, morar junto, ter horta, criar filhos e etc. Alguns milhões querem, lógico. E que bom para eles. Mas essa não é uma verdade universal, por mais que as propagandas de margarina insistam na jogada.


Em tempo: eu amo crianças. Com suas respectivas mamães.
HAHAHAHAHAHAHA

Não, sério, foi só para dar uma brincada. Eu gosto e muito de crianças, elas têm uma sinceridade nata que me encanta. Adoro sua pureza e o jeito como descobrem o mundo. Mas, por mais fofas e lapidáveis para o bem que sejam, elas ainda não têm o dom de se criarem de forma autodidata. E é aí que reside o drama, uma vez que nem sempre contam com tutores dignos da tarefa de educá-las. Muitas têm sorte. Outras, nem tanto.


Besitos, nos vemos.






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

5 ANOS DE BLOG - PARTICIPE DA PROMOSHARE

Hoje, nós da empresa, completamos 5 anos de blog. Vamos dar o play para entrar no clima:                         #POLÊMICA: sempre preferi o parabéns da Angélica em vez de o da Xuxa. O que não quer dizer que eu ame a Angélica, claro, por mim ela pode ir pra casa do caralho. ENFIM, VAMOS CELEBRAR! 5 ANOS DE MERDA ININTERRUPTA AQUI! UHUL, HEIN? Era 22 de dezembro de 2010, estava euzinha encerrando mais um semestre da faculdade de Jornalismo, meio desgraçada da cabeça (sempre, né), entediadíssima no Orkut, quando finalmente tomei coragem e decidi dar a cara a tapa. Trouxe todas as minhas tralhas para o Blogspot e a esperança de mudar alguma coisa. Infindáveis crônicas começaram a ganhar o mundo e a me deixar mais desgraçada da cabeça ainda: sei lá, escrever é uma forma de ficar nua, de se deixar analisar, de ser sincero até a última gota, e isso nem sempre é bom negócio. Mas, enfim, felizmente tenho sobrevivido sem gran...

Por um mundo

         Por um mundo onde velhos tarados nas esquinas transformem-se em Malvinos Salvadores e Jakes Gyllenhaals. Por um mundo onde as bases e demais esmaltes tenham duração infinita e não nos deixem a ver navios. Por um mundo onde as unhas não nos iludam que aguentam qualquer parada e sigam lindamente quadradas, fazendo a inveja alheia. Por um mundo onde pessoas tenham a língua grudada no céu da boca, se pensarem em fazer alguma fofoca. Por um mundo onde as mesmas pessoas não repassem boatos, tampouco aumentem fatos, cuja procedência desconhecem. E, não sabendo, que não falem, apenas mudem de assunto.                       Por um mundo onde moços que nos deixaram levitando de paixão, devido a uma fatalidade da vida, sejam acometidos pela mesmíssima paixão, grudem em nós, nos surpreendam com sua per...

Flores no lamaçal de creme de avelã

Tenho feito um severo exercício de autocrítica nos últimos tempos - exercício esse que, somado a um problema pessoal bem pontual, me deixou sem tesão algum de escrever. Mas voltei para uma transadinha rápida e certeira. Um mea culpa inspirado nos velhos tempos - desta vez sem o deboche costumeiro. Realmente quero me retratar. H á alguns meses, q uando escrevi, estupefata de indignações diversas, sobre youtubers, eu nunca estive tão certa do que escrevia. Sigo achando que o Youtube amplificou a voz dos imbecis e vem cooptando principalmente crianças a uma sintomática era da baboseira - entre trolladas épicas envolvendo mães e banheiras cheias de nutella , criou-se um nicho bizarro cujo terreno é a falta de discernimento infantil infelizmente. Só que foi aí que residiu meu erro: reduzir a plataforma a um lamaçal de creme de avelã - e nada mais. Não me ative ao fato de que ali coexistem muitos canais interessantíssimos sobre os mais diferentes ramos do conhecimento hum ano , inclusive...