terça-feira, 26 de novembro de 2013

Tipo o pão caindo com a parte da geleia para baixo

Tem coisas que são tipo o pão caindo no chão com a parte da geleia para baixo: se existe a possibilidade de ser sacal, vai ser sacal. Vizinho e música em um volume ensurdecedor, por exemplo. Não adianta: entra geração, sai geração, os vizinhos nunca vão escutar nada que você goste. Nem nada pelo que, ao menos, você tenha simpatia. Se é para passar pelo purgatório musical, que seja do jeito mais merda possível. O IBGE, nos seus famigerados censos, deve explicar isso. Eu nunca tive um único vizinho que comungasse do que eu amo ouvir. No geral, sempre fui acordada aos domingos com playlists do melhor do sertanejo da dor de corno. Não que o que eu escutasse não cantasse as dores de amor, mas a diferença entre um:

- AQUELA DESGRAÇADA ME DEIXO O O O OUUUU...

e um

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim, que nada nesse mundo levará você de mim... 

... é de uma sutileza escandalizante. Tem diferença. Faz diferença no ouvido e faz na vida. No jeito de encarar o, vá lá, amor e seus tropeços. Imagina acordar escutando a Bethânia desenrolar os versos do Vinicius? Só nas minhas melhores utopias. Vai lá, engole o choro, que amanhã tem Gusttavinho Lima e você. Ou um Naldo perfurando uns tímpanos com muita vodka - ou água de côco, que, para mim, tanto faz.

Dia desses, pasmem, fui agraciada com Help, dos moços de Liverpool, num volume exorcizante. É você, Satanás? Depois de sofrer, calada, por tantas manhãs, ver os Fab Four invadindo minha janela foi um grata surpresa. A pena é que eu me encontrava numa ressaca tão desgraçada, que só pensava em dormir - sim, aquele sono de babar, o melhor que existe. No fundo, eu devo ter sonhado. Nunca saberei de verdade.



                                                                                  #chatiado




 

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