Pular para o conteúdo principal

Tipo o pão caindo com a parte da geleia para baixo

Tem coisas que são tipo o pão caindo no chão com a parte da geleia para baixo: se existe a possibilidade de ser sacal, vai ser sacal. Vizinho e música em um volume ensurdecedor, por exemplo. Não adianta: entra geração, sai geração, os vizinhos nunca vão escutar nada que você goste. Nem nada pelo que, ao menos, você tenha simpatia. Se é para passar pelo purgatório musical, que seja do jeito mais merda possível. O IBGE, nos seus famigerados censos, deve explicar isso. Eu nunca tive um único vizinho que comungasse do que eu amo ouvir. No geral, sempre fui acordada aos domingos com playlists do melhor do sertanejo da dor de corno. Não que o que eu escutasse não cantasse as dores de amor, mas a diferença entre um:

- AQUELA DESGRAÇADA ME DEIXO O O O OUUUU...

e um

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim, que nada nesse mundo levará você de mim... 

... é de uma sutileza escandalizante. Tem diferença. Faz diferença no ouvido e faz na vida. No jeito de encarar o, vá lá, amor e seus tropeços. Imagina acordar escutando a Bethânia desenrolar os versos do Vinicius? Só nas minhas melhores utopias. Vai lá, engole o choro, que amanhã tem Gusttavinho Lima e você. Ou um Naldo perfurando uns tímpanos com muita vodka - ou água de côco, que, para mim, tanto faz.

Dia desses, pasmem, fui agraciada com Help, dos moços de Liverpool, num volume exorcizante. É você, Satanás? Depois de sofrer, calada, por tantas manhãs, ver os Fab Four invadindo minha janela foi um grata surpresa. A pena é que eu me encontrava numa ressaca tão desgraçada, que só pensava em dormir - sim, aquele sono de babar, o melhor que existe. No fundo, eu devo ter sonhado. Nunca saberei de verdade.



                                                                                  #chatiado




 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sumiços, porre de vinho, Julia Roberts

Sumi, né? Eu sei. Mas não foi por falta de ideia. Na verdade, seguidamente os ''preciso escrever sobre isso porque tá me sufocando'' vêm me visitar em uníssono. Saudade de usar ''uníssono'' em um texto de novo, ufa, saiu. No colégio, uma vez, uma professora disse que eu era uma pedante literária. Sigo honrando o deboche com gosto.   No geral, eu não tenho mais tempo (será que eu arrumaria tempo?). Não tenho mais tempo para escrever minhas misérias aqui, logo eu que sempre priorizei minimamente este espaço nebuloso. Fazer o quê? É da vida. Nem vim fazer mea culpa até porque ninguém se importa, foi mais para dar as caras, tirar o pó do lugar, abrir as janelas. Como vão? Me convidem para tomar um café, só não liguem para o meu celular, não suporto telefone tocando. Mentira, café com esse calor não tem condição, me convidem para ficar em silêncio tomando um vento na cara. Preciso de silêncio, não aguento mais ter que opinar sobre tudo. Não aguento mais qua…

Sobre Ilha das Flores e Ilha das Flores - depois que a sessão acabou

A ideia deste post surgiu de algo bem interessante. Ontem, eu dei uma lida numa entrevista do cineasta Jorge Furtado e decidi dividi-la no perfil que tenho em uma rede social, uma vez que ele fez algumas considerações sobre jornalismo - e isso, independente de quem vier, sempre me faz dar uma parada. Gosto de ver o que estão falando, etc. Na ocasião, o repórter também nos lembrou da passagem de 25 anos daquele que parece ser um dos maiores feitos do porto-alegrense, o curta ''Ilha das Flores'', lançado em 1989 e até hoje considerado um marco em sua carreira.  Arrisco dizer que não haja ninguém que não tenha assistido a tal documentário, especialmente nos anos de ensino médio, mas, vá lá, quem sabe nem todos conheçam. Desde que o vi, fiquei encantada. Encantada, mas não num sentido ''jogo no time do Jorge Furtado Futebol Clube'', e, sim, ''que baita jeito de contar uma história, com deboche e precisão''. Trata-se de um roteiro quase lúdico…

Su deboche es mi deboche

Terminei, há uns dias meses, o último livro da ótima Tati Bernardi, aquela moça que meio mundo ama incluir em suas selfies, muito embora a maioria daquelas frases toscas não sejam de autoria da roteirista - palavras da mesma. Pois Tati, que fez de seu transtorno psicológico matéria-prima para muitas de suas genialidades, me fez rir quase convulsionada com o hilariante - porém não menos denso - Depois a louca sou eu. Eu simplesmente cheguei ao cúmulo de parar a leitura e, entre risos histéricos, repetir para mim mesma:''ela não pode ter escrito issoooooooo''. Pois não é que escreveu? E escreveu muito bem (putaquepariu, um texto bem escrito é a minha Disney!!!). É um tom confessional delicioso e intimista, é quase como se eu quisesse abraçar Tatiane e dizer que também já estive ali - estaremos sempre algumas vezes na vida porque esses dilemas psicológicos são dificílimos de desgrudar. Talvez não desgrudem nunca.
Foi um deleite ver a escritora revelar seus piores dramas …