quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Não troco o meu James Bond por você

A solidão assusta, claro que assusta. Solitude não é o projeto de vida de ninguém na vida, não é mesmo? Mas eu convivo bem com a ideia. Não que eu seja uma pessoa sozinha, longe disso, modéstia à parte, sempre dou um jeito de ter uma boa companhia do lado, de estar cercada de pessoas legais. Todavia, quando acontece, não deixa sequelas. Definitivamente, não sou o tipo de pessoa que perde um filme, por falta da dita ''parceria''. Ainda mais sendo o novo do James Bond. Jura!
Eu gosto de ficar sozinha, acho de grande necessidade. Eu me aprecio, gosto da minha companhia, do que eu descubro enquanto testemunha de mim mesma. É sempre libertador. E é meio curioso confessar isso, porque pressupõe que eu sou uma extraterrestre: quase ninguém que conheço é muito fã de uma solidãozinha. Deve haver, claro, mas, no geral, eu noto relações marcadas (ainda) pela posse, pelo controle, pelas cobranças, pela zaga retrancada - ainda mais em tempos esquizofrênicos de redes sociais (esquizofrênicos, sempre escrevo isso). ''Por que não me ligou, fulana?'' ''O beltrano tá estranho, não me ligou mais...'' "Vou parar de ser disponível, ninguém me valoriza...'' Blergh. Preguiça de quem se dá importância demasiada. Preguiça crônica de quem se leva a sério demais. Na boa, não se levem a sério, isso que a gente atravessa todos os dias não é nada demais, é só vida, coisa boba. Você também é coisa boba, ninguém está tão preocupado assim em chateá-lo, em bolar planos maquiavélicos para fazê-lo sofrer. Não crie casinhos, não alimente bolas de neve. Escreva textos sarcásticos, que é mais negócio. Bole um stand-up, ao menos os outros vão rir da sua desgraça - se é que é uma desgraça mesmo.   
Lógico, Batman, quando gostamos, sentimos ciuminhos, sensações estranhas que talvez não sejam nada mais que amor trajando outras máscaras. Eu sinto. Até hoje, tenho acessos de posse estranhos com meu irmão, sinto uma falta desgraçada de contar minha vida para ele, ai dele se não dispensar um tempinho na agenda para falar merda comigo. Não compreendo o porquê da coisa, deve ser do cerne humano de querer controlar, sei lá eu, mas a gente precisa aprender a ser feliz sozinho também. Aprender a extrair felicidade de nós mesmos. Já fui aquele tipinho maçante, que ficava puto da vida, por uma semana, quando a turma do colégio não me convidava - por esquecimento ou de propósito - para fazer tal coisa - e depois tinha que aguentar trocentas fotos lá na parede marcando minha ausência. Tenho pânico só de pensar em agir assim de novo. Credo, nada vale minha paz, só sendo muito ninja para me tirar do sério com uma bobagem dessa. Hoje em dia, mesmo sem ter sido convidada, eu me ofereceria para ir tirar as tais fotos - só pelo prazer de ver os outros se divertirem.  
E dá para acreditar que ainda há pessoas por aí rogando pragas contra o mundo, porque ninguém quis assistir tal filme com elas? Porque o fato é que são muito importantes para chegarem ao cinema sem uma multidão de súditos em seu encalço. O que a oposição irá dizer? Seria uma mácula em suas biografias, obviamente. Ir ao cinema sozinho pode até ser ridículo, mas deixar de ir, por medinho do que os outros - os assustadores outros - vão pensar é bem mais. Vai, que dá nada, bobinho. É só vida. 



Auxiliou no post: 

Oswaldo Montenegro, com Lua e Flor e Bandolins   






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