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Porra, Carly Simon!!!!

Era um domingo muito ensolarado de outono e muito convidativo a fazer traquinagens. Os domingos têm essa mania de às vezes serem marcantes. E de doerem como farpas nos dedos cansados, depois de findados. Aquela coisa de haver poucas pessoas nas ruas e, quando uma folha seca atravessa seu caminho, você parar para admirá-la, num recanto de contemplação quase piegas. O domingo citado tinha disso, uma espécie de mistério que faz sorrir sem causa aparente, que mexe com um resquício adormecido de ternura.
E também tocava Carly Simon em algum lugar muito próximo. Aí reside um fator perigoso, pois quando Carly Simon começa a fazer sentido, significa que fodeu de uma maneira sem precedentes. Porque a Carly, ela entra no seu ouvido e toca no seu âmago e domina seu cérebro e começa a ressuscitar umas coisas. E ela age tão sorrateiramente, que você fica meio sem ação. E aí, logo em seguida, é você quem quer agir. E aí rola. E pode dar certo.

Ela - a moça desta narrativa - pegou a chave do carro, num impulso doce e medroso. Carly seguiu cantando - mas desta vez, junto dela, enquanto as duas atravessavam alguns sinais vermelhos. E ela gritava, feliz sem saber por que:

Sometimes I wish
Often I wish
That I never, never, never knew
Some of those secrets of yours
Some of those secrets of yours
Soooooome of those secrets of yours


Até que chegou ao hall de entrada do prédio onde ele residia. E ele já estava com outra. Outra moça, outra verdade, outra vontade.


PORRA, CARLY SIMON!!!!



                                                                                      RÁ! TE PEGUEI







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