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Sobre Ilha das Flores e Ilha das Flores - depois que a sessão acabou

A ideia deste post surgiu de algo bem interessante. Ontem, eu dei uma lida numa entrevista do cineasta Jorge Furtado e decidi dividi-la no perfil que tenho em uma rede social, uma vez que ele fez algumas considerações sobre jornalismo - e isso, independente de quem vier, sempre me faz dar uma parada. Gosto de ver o que estão falando, etc. Na ocasião, o repórter também nos lembrou da passagem de 25 anos daquele que parece ser um dos maiores feitos do porto-alegrense, o curta ''Ilha das Flores'', lançado em 1989 e até hoje considerado um marco em sua carreira. 
Arrisco dizer que não haja ninguém que não tenha assistido a tal documentário, especialmente nos anos de ensino médio, mas, vá lá, quem sabe nem todos conheçam. Desde que o vi, fiquei encantada. Encantada, mas não num sentido ''jogo no time do Jorge Furtado Futebol Clube'', e, sim, ''que baita jeito de contar uma história, com deboche e precisão''. Trata-se de um roteiro quase lúdico sobre como a economia gera relações desiguais entre os seres humanos - e, sim, essas são palavras da Wikipédia, a Enciclopédia Livre. Para ilustrar referido dilema, acompanhamos a trajetória de um reles tomatinho...   
Bom, até então, eu tinha por verdade tudo que assisti, quer dizer, ainda que impactante, nada me pareceu mentiroso ou exagerado, até pelo fato de eu não viver em Porto Alegre e não conhecer o local onde supostamente se deram as filmagens (rs). E porque espera-se que documentaristas não mintam, digo, ainda que o gênero comporte uma ''brincada'' com a realidade, toma-se como verdade tudo que está na tela, pois, do contrário, seria A Lagoa Azul ou Matilda ou sei lá eu, não é mesmo? Só que aí, caríssimos, uma amiga minha na rede social, muito solícita, comentou que existe um híbrido de matéria jornalística e documentário (outro, cuja existência eu desconhecia até aí) que desconstrói a ladainha toda do Jorginho. E aí ferveu o kissuco. Mentira, não ferveu nada, tão loucos por uma polêmica, né? Ferveu é a paranoia na minha cabeça. Vocês, às vezes, também não pensam que estão vivendo numa realidade paralela onde tudo é conspiração? Em quem vocês confiam? Tudo que noticiam é verdade? Jorge Furtado seria um farsante comunista e ateu? Será que só eu não conhecia essa matéria, o lado B da Ilha das Flores? Será que nas escolas, estão passando para os adolescentes o filminho do Jorge e o outro em seguida para dar uma estimulada na criticidade da galerinha? Será que eu sei alguma coisa sobre documentário? Vejam, em instantes, no próximo parágrafo. 


Por via das dúvidas, deem uma olhada nos dois vídeos e tirem suas próprias conclusões. Eu não sei é de mais nada. 








Mas continuo achando ''Ilha'' um puta documentário. Tá, mas então quer dizer que eu me deleito com uma mentira? Será que eu não tenho vergonha nessa cara? Vai dormir, Bruna, vai.  




Auxiliou no post:

Paranoia - Raul Seixas





    

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