terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Ano novo, velhas cagadas


Eu não vim aqui para despejar um balde negativo de neuroses em vocês – ao menos não deliberadamente. Mas, pra mim, é meio inevitável acenar o ano novo com um conhecido espírito resignado, malandro velho, ciente de que vai fazer muito pouco ou nada diferente. Não me leve a mal, eu não quero colocar areia na sua listinha feliz de metas, mas quem é que se leva realmente a sério aqui? Ah, vai se foder, sai da minha casa.
Com esse título-drama-queen, até parece que eu enumero coleções e coleções de cagadas a cada ano. Cagadas tipo filhos, casamentos, corpos escondidos em freezers, papelotes de cocaína na bolsa ou trepadas com o namorado da melhor amiga. Que nada, tô é existindo aqui com 26 anos, num bom-mocismo de dar tédio, louca de vontade de tosar o cabelo e morrer de overdose de sentido. Mas eventualmente cometendo, ora pois, cagadas por aí. Cagadinhas, sabe. Nada que deponha muito contra essa minha índole apegada a provincianismos, já que são contra mim mesma. Mas é como se elas estivessem arraigadas, fixadas com cola quente no meu esqueleto, como se gritassem em uníssono depois de dar meia-noite: “você não deixou de ser vocêêêê, heinnnnnnn’’. Bela torcida tenho eu.
Cagadas do tipo dormir tarde toda santa noite e querer morrer com um tiro à queima-roupa quando o despertador toca na manhã seguinte - aliás, essa creio ser partilhada por grande parte da audiência. Como nos curarmos, irmãos? Como nos libertarmos, se a madrugada parece tão mais convidativa para viver e ser criativo, bolar planos e ser feliz?
As cagadas, elas são assim desde sempre, mas atravancam toda uma existência. Eu queria parar de me drogar (ler Claudia Tajes e tomar Coca). Eu queria parar de fumar lembranças antes de dormir e tragar esse veneno que até faz bem na hora, mas entorpece meus neurônios burros de esperanças vazias. Eu queria parar de tentar entender essas noites em que tudo parece se encaixar e vêm, lépidas, como presentes para quem se comportou bem, mas amanhecem rápido demais. Os dramas dos começos sempre são essas expectativas horrorosas que começam a corroer nosso discernimento e nos levam a crer que será diferente, qualquer coisa, qualquer algo. Bom, talvez seja, vamos ser um pouco ingênuos por ora. E fingir que viramos outras pessoas. 



Auxiliou no post:

Shoulder to shoulder - Little Joy






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