quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobre o "Dia do Jornalista"

         Não poderia deixar passar em branco, né? Estudo para ser uma deles, há três anos, logo, me senti na obrigação de deixar um recadinho pela passagem do "Dia do Jornalista" - mais um desses dias festivos inventados por não-sei-quem para que haja uma profusão de cumprimentos hipócritas e demais manifestações dispensáveis.
          Pois bem, sei que ninguém perguntou, mas a sensação que mais me assalta quando penso sobre referida profissão - mesmo com uma considerável bagagem de textos lidos e aulas práticas no currículo - é a de que sei muito pouco a respeito. É como tentar apreender algo que não se pode capturar. Talvez aí resida a graça da coisa, não? Teoriza-se muito, mas a mão na massa está longe de se igualar àquilo que vem bonitinho nos livros e nos xérox. Já parei de me iludir que farei parte de um segmento de trabalho valorizado como deveria ser. Já não acho que o tal jornalismo é lindo e serve a todos sem distinção de credo, cor ou classe social. Só não encontro forças para desistir. A gente se ama e se odeia. E ele parece saber lidar comigo, esse cretino.  
          Entrei no curso por puro feeling e acabei arrebatada, sem ter olhos para outra graduação. Me encantam o inusitado da atividade e a atenção que se precisa dispensar à vida dessas pessoas comuns, cheias de histórias ricas e verdadeiras. Me atraem o exercício diário da observação e a necessidade de "treinar o olho" para reconhecer uma boa pauta. Me instiga esse leque de possibilidades de atuação que a área oferece. Me entristece a notícia ser quase sempre encarada como produto. Me domina esse mistério de sentir profunda curiosidade por coisas que, na teoria, nem deveriam me interessar. Me norteia essa vontade de sempre - sempre - querer um porquê para tudo. Salada de emoções, sabem? A um passo da loucura.
           Não deixo homenagens e elogios aqui, necessariamente, aos jornalistas - agentes do processo - mas, sim, um salve a esse ramo fascinante do conhecimento humano, no seu estado bruto. A arte de informar, propiciar discussões e reflexões acerca dos fenômenos da sociedade e nos fazer querer saber mais e mais. É bem verdade que tal ciência não produz vacinas ou ergue prédios, porém está comprometida sem volta com essa atmosfera do fato... daquilo que muda o globo e o faz girar. Ela e a notória estranhice de seus pupilos - focas ou não.          
       

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