domingo, 2 de março de 2014

Sobre carnaval

Eu já fui uma foliona de marca maior. Nas matinês dos anos 90 só dava eu. Mas aí eu cresci, né? E comecei a achar tudo um grande exagero, uma coisa sem sentido. Se ao menos fosse sem sentido, mas com música boa... mas não, não é. São sempre os mesmos hits enjoados e com coreografias depreciativas. E então eu racionalizei e parei de ir, não me considero menos tupiniquim por isso.
O que me enerva no carnaval - mais que a overdose de Asa de Águia e adjacentes - é essa necessidade pela loucura, como se ela fosse um instinto sazonal. Anjinhos, nós podemos ser livres e pegar geral depois da quarta-feira de cinzas também. Por que o moralismo velado no restante dos meses, se nos dias de folia é tudo liberado? Conheço casos de pessoas que terminaram namoros para aproveitar mais e melhor, porque, sabe como é, namorar é um fardo mesmo, ainda mais nestes quatro dias maravilhosos em que a lascívia corre solta. Hipócritinhas adoráveis. Não me apetece esta ambiência momesca, mas não por ser santa, e, sim, sensata - ao menos no presente quesito, seu jurado.
A queixa é só em se tratando disto, sabe, não é que eu odeie a festança do momo numa totalidade. Eu gosto de samba. Eu amo o Chico. Eu amo o Cartola, cara, e Cartola é carnaval correndo nas veias. Amo a Marisa Monte e o Paulinho da Viola, como odiá-lo, sabendo que eles são a cara da Portela? Não dá. Gosto do lirismo - talvez pouco explorado - da coisa, tem poesia no carnaval, sim, senhor. Procurando, tem. E tem arte da boa: as escolas de samba se puxam nas histórias que contam nas avenidas. Tirando toda a exploração escrota do corpo feminino, toda a sexualização barata para gringo se deleitar, toda a forçação de barra, com um olharzinho mais atento dá para aprender também.    


Abaixo, eu trago uma raridade: Buarquinho e Carlos Cachaça sendo entrevistados sobre o enredo de 1987 da Mangueira, uma celebração a Drummond.


 


Auxiliou no post:

Little saint Nick - The Beach Boys






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