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CARNAVALZETA


ALALAÔ Ô Ô Ô 
MAS QUE CALÔ Ô Ô Ô

Não vou poder fugir, né? Falemos então dele, o magnânimo. Assim, o carnaval esconde um código de manifestações que eu não consigo entender. Fico deliberando sobre comigo mesma e não acho saída. (Com uma expressão facial tipo aquela do Chris, quando Greg Wuliger comenta que tem uma menina ''muito na dele''. ''Cara, ela tá tão na sua'', eis a frase.) Não tô falando positivamente ou negativamente, apenas como uma observadora, que sou, da realidade - que ônus na vida, a propósito. Claro, é fascinante essa coisa de pensar, pois nos sentimos o suprassumo da cadeia evolutiva da vida terrestre, mas é inevitável constatar que talvez pudéssemos ser mais serenos - isso mesmo, serenidade é o sentimento - sendo robôs. Bom seria... robotizar a existência para não perder tempo tentando explicar o que não se explica. Eu, por exemplo, não perderia meu precioso tempo antropologizando carnaval e seu modus operandi com cara de Tyler James Williams - divino, por sinal, que coisinha hilariante esse piá.      
Ontem fui a um clube da cidade, a fim de ser foliona. Os amigos convidam, a atmosfera conspira... nhéé, tá, vamos lá, poxa, ''ficar em casa é coisa de gente velha e triste''. Mas hein? Eu nem tô triste, quer dizer, também não estou exultante, mas definitivamente não estou escutando Everybody Hurts, do R.E.M. Porém, beleza, vamos fingir que eu acredito nesta falácia, afinal, é carnaval, tudo é fantasia - cá entre nós, estas máscaras sociais são um achado. Hoje, mais empoderada como ser humano que entende que não há melhores amigos que um sofá preguiçoso e Friends um filminho do coração, eu rio, acho graça, abro um sorriso debochado. Ora dizer que ficar em casa é coisa de gente triste? Triste é ter que fugir de si mesmo toda sexta-feira e se entorpecer pra ver graça nos outros, na vida. Triste é ter que sair de casa com uma empolgação encomendada. Ou quem sabe não seja triste pra você, ok, mas creio que totalmente infundadas minhas afirmações não sejam. Quando eu era mais nova e meus pais bancavam os carrascos não me deixando fazer o que toda a galáxia de adolescentes de 16 - inclusive muitas das minhas amigas - estavam fazendo nos blocos de carnaval, eu quase podia sentir pena de mim mesma. ''Putz, só eu fiquei mesmo em casa assistindo a Maria Beltrão narrar a ala das baianas, hein? Uau!'' 
Que papo de tiazona esse, como se eu realmente fosse a voz da sabedoria... mas, sabe, gosto de recordar essas coisas e ver que eu não estava perdendo grande coisa. Nossa, perdendo nada mesmo. Ontem no clube, enquanto sorvia uma Bud - a cerveja da moda, claro -, inocente e alheia aos meus devaneios, e escutava um Greatest Hits Ivetão aparentemente no repeat infinito, vi que as coisas não mudaram muito. Ala das baianas, hoje vou vê-la desfilar. Com gosto. 


E só para que não me chamem de triste, deixo essa coisa maravilhosa que sintetiza semioticamente bem o carnaval que todo mundo faz, mas ninguém conta: 


  

Cínica, pode ser. Triste jamais.







  

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