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Sobre o litoral farroupilha e a polêmica do comunicador

O texto do tal comunicador sobre nosso litoral farroupilha mexeu aqui com meu senso de ridículo, logo, também vou opinar. O fato é que não vi nada demais. Tá engraçado? Não sei, sabe, para achar determinada coisa engraçada, é preciso estar a par do objeto que faz graça, dos seus antecedentes, e não sou discípula do cara. Não por nada, só não sou - nem dele, nem do programa do qual faz parte - então, pra mim, soou forçado. Achei alguma ou outra coisa sagaz e bem escrita, mas opino como uma pessoa que dá uma olhada nos textos alheios, a fim de ter repertório. Não achei ofensivo, só, sei lá, irrelevante? Mas, beleza, tem quem tenha achado ultrajante, minha nossa, Bento Gonçalves está a chorar nas trincheiras, alguém leva esse ''catarina'' para fora de nossos domínios já.
Fiquei a pensar que grande parte da possível ofensa residia no fato de o cara ter nascido em Santa Catarina, e, né, onde já se viu essa gente falar mal do Rio Grande do Sul? ''Ai, Bruna, você está louca, querida''. Estou? Acho que não. Existem, sim, pessoas que alimentam um tipo de competição (???) velada entre os estados, não sei bem de onde surgiu essa babaquice, mas é fato que está no ar que respiramos. Eu ousaria dizer que é mais por parte de nós, gaúchos - e, argh, como me enoja ter que ficar dentro desse saco no momento - visto que nosso histórico de esnobismo é assustador, mas deixemos no meio a meio então. Tem gente que é apaixonada pelo estado, a ponto de deixar o raciocínio em segundo plano, a propósito, qual o nome da doença? Sim, porque é doentio. ''Você não é tradicionalista, Bruna.'' Olha, amigo, realmente, se é pra alimentar ódio entre naturalidades, me inclua fora dessa.
Acho escroto curioso esse bairrismo, sabe... assim, eu gosto de morar aqui, nunca me faltou nada, blá, blá, minha essência está aqui, ok, mas o semblante de aprovação é até ali, colega. No momento em que aquela macheza-gaúcha-toco-os-arreio-nesses-estrangeiro começa, eu já tô a léguas de distância. Nesse momento, eu já mudei minha certidão pro Pará, pra Nicarágua. Deu.
Pode parecer injusto, mas o tal do sentimento de pertencimento só vai dar as caras, providencialmente, quando eu for visitar outro estado. Idem pra quando eu for a Porto Alegre, tendo nascido no interior. Idem pra quando eu for pra Malásia ou pro Condado de Puta que Pariu, tendo nascido brasileira. Até quando eu fizer uma visita e contar as horas para estar com os pés pra cima na minha cama de novo. Nossos valores e sentimentos são cultivados em lugares de irrisório espaço. E só. É assim que as coisas são. É assim com todo mundo. Tem autores ótimos que falam disso e da nossa sintomática contradição, dá uma googleada aí.
Quanto ao cenário de apocalipse descrito pelo cara sobre a orla... olha, não me pareceu exagerado. Quer dizer, vamos desconstruir o termo ''praia''. Ok, praia é ótimo. Ficam lindas em fotos no Instagram. São lindas nos clipes. Dão ótimos e salivantes pensamentos quando a gente está sob tortura no trabalho. Mas, infelizmente, chegando lá, elas não são assim tão convidativas. Tem um vento desgraçado. Tem música chata do cara que desconhece fones. Tem gente sem noção te acertando com bolas de variadas procedências. Tem tarado te secando. Tem cães adoráveis se utilizando da areia como um imenso vaso sanitário a céu aberto. Tem a areia, como não, nos brindando com deliciosas micoses. Tem o sol nos fazendo fritar como bacon no óleo quente. Assim, é bom, é agradável, mas tem que ter saco, tem que querer muito. Da praia mesmo, eu só tiraria a água, me vê uma porçãozinha aí que eu vou levar pra viagem, moço. No geral, praia é isso - a não ser, claro, que você tenha colocado azulejos numa especialmente pra uso próprio. Enfim, o fato é que o jornalista poderia ter escrito até sobre Copacabana, a princesinha do mar, e seguiria soberano - com o bônus ainda do arrastão, que felizmente não se popularizou por aqui.
Mas vai ver, tudo é porque ele não nasceu nos pampas, né? Mereço essa gente.





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