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Henrique e Juliano - os manés

Poucos músicos fazem umas letras tão sem verossimilhança quanto os universitários, aqueles. Adoro, mas pra rir por dentro, sabe. Caso eu vá a alguma baladinha de música sertaneja universitária - e olha que sertanejo universitário é beeeeem diferente de um sertanejo gostosinho tipo o do Almir Sater, por exemplo -, não raro, eu viro para quem está comigo e comento: ''amiga, olha essa letra, presta atenção''. E me mato rindo. Sozinha, claro, porque esse é o meu destino na vida. Enfim, sobre o Henrique e o Juliano, por exemplo. Umas graças, mas né......... ai, que preguiça. Acompanhem comigo antes que eu pegue no sono:

Aqui sentado nessa mesa 
Só o copo de cerveja é minha companhia
E essa casa está tão cheia
E parece vazia sem você comigo

(Um clichê horroroso, né, meu povo? Nem vou me dar ao trabalho.)

E hoje está fazendo um ano
Aqui no meu calendário ainda está marcando
O dia, o mês, foi a primeira vez
E o que me prometeu, será que se esqueceu?

(Gatinho, o calendário mudou, o ano mudou. Supera isso, meu fio!)

De todos nossos planos, nossos filhos, nosso apartamento

Da nossa lua de mel, do nosso casamento
Como pude acreditar nesse seu juramento?
E agora estou sozinho outra vez

(Gente, esse tipo de sonho em 1950 é até compreensível, mas em pleno 2000 e tantos...? Pensa comigo, no meio de tanta coisa interessante e excitante para se planejar as a couple, como viajar, criar uma ONG, abrir negócios, escalar montanhas, nadar pelado numa cachoeira, desbravar a América do Sul de moto, tomar porres de Curaçau Blue, conversar com os índios do Xingu, publicar livros, aprender idiomas, sei lá, até assaltar um banco vestidos de Bonnie e Clyde, tu vem me falar de filhos? Casamento? Apartamento? Lua de mel? Wtf, Julianinho? Beleza, quem sabe esses desejos viessem depois de muita maturação da relação, mas não me surpreendo que você esteja sozinho agora.)


De copo sempre cheio, coração vazio
Tô me tornando um cara solitário e frio
Vai ser difícil eu me apaixonar de novo
E a culpa é sua  

(Ai, lá vamos nós. Ô refrãozinho bem enjoado. Seguinte: a culpa não é da garota, cara. Alguém me contou uma vez que não dá pra colocar nas costas dos outros a responsabilidade de nos fazer felizes, e, bem, me parece muito verdadeiro. Quanto a se apaixonar de novo... você certamente nunca andou de ônibus, né? Uma voltinha por dia e essa sua teoria cairá por terra. Pesquisas apontam que não há melhor lugar para cultivar platonismos.)


Antes embriagado do que iludido
Acreditar no amor já não faz mais sentido
Eu vou continuar nessa vida bandida
Até você voltar

(Antes embriagado do que iludido? Sério mesmo? Partindo da premissa de que humanos normais se iludem a cada respirada, algo me diz que você já deveria estar frequentando, há tempos, as reuniões do Alcoólicos Anônimos, querido. Ou possivelmente já está agonizando de cirrose, porque, né? Vê se para com o trago, porque mulher detesta bêbado e, como seria de se esperar, sms do além.)





*Em um futuro não muito distante, analisaremos Marcos e Belutti, porque, convenhamos, essa história de preferir encher o saco dos outros domingo de manhã a estar em um hotel em Dubai me cheira à sociopatia, quer dizer, não tem lógica alguma.


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