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(In)sustentável inquietação do ser

          “Só se ama aquilo que não se possui completamente”. Lembro-me bem da sensação de ter lido essa frase em uma revista qualquer (mentira, foi numa dessas revistinhas adolescentes cretinas) e assentir com a cabeça, tanto concordei com sua essência. Fiquei alguns segundos ruminando sobre tal achado, que descobri ser uma das coisas que mais me frustram nessa vida, essa história de a gente desejar com a própria vida o que parece que não pode ser completamente nosso. Acredito que, às vezes, sinceramente, algumas coisas não podem mesmo. Porque não é para ser. Simplesmente isso.
            Só que, para mim, não para por aí. Ao ler tais escritas, percebi que esse vazio de estar em busca de algo quase sempre distante nunca nos deixa por completo. Será isso que chamam de inquietude? Ou seja, nunca estaremos satisfeitos com nada, pois, na teoria, sempre haverá algo para alcançar? Tanto faz. O que estiver nos livros de autoajuda ou essa minha teoria, oriunda de muitas noites insones. Pouco importa, contanto que haja movimento. Tentativas. Como diria o insano Caio Fernando Abreu: “Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras coisas”. Deve ser isso que nos mantém avante, o tal mistério da vida de nos pôr em curso novo, quando o presente nos priva de encantamento gratuito. Deve...  

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