domingo, 21 de agosto de 2011

Hamlet me entende

          Eu ainda tô naquela vibe filosófica do texto e suas intrincadas correlações. Por que escrevê-lo? Aonde tudo vai? Ele ganha vida própria no instante em que é publicado, e vocês entendem o que querem? É tão curioso como seu processo de materialização é secreto, não tendo testemunha alguma além de quem o faz. "Há mais coisas entre o ato da escrita e a tela do computador do que sonha a vã filosofia de vocês." (#HamletFeelings #90Facts). Não resisti.
          No meu caso, são inúmeras as vivências tentando ter voz, ainda que, muitas vezes, fiquem mudas no melhor da polêmica. É simples: não é possível postar tudo fielmente com a crueza com que ocorre. Todavia, as entrelinhas estão aí, marcando presença, existindo um pouquinho em cada parágrafo percorrido. Misturando-se aos eufemismos bobos, às metáforas sem sentido, às hipérboles vaidosas, aos vícios de linguagem, a um corrosivo e agridoce jeito de ser... a uma particular e humana idiotice, enfim.
           Penso que, se eu estiver exultante, triste, resignada, intrigada, tranquila, infantil, adulta, coerente ou o escambau que for, tudo vai estar aqui - ainda que por linhas tortas. O fato é que o estado de espírito acompanha a narração do fato, a crônica, whatever, mas nem sempre está preso a uma impressão só; Nem sempre é fiel a um sentimento sozinho e cabô. O que eu tento, então, é uma reflexão bonitinha para tentar minimizar o gosto de cianureto de dentro da boca e ver se cola.   
           De alguma forma, eu e, vá lá, o que ficou pela metade vamos grudar nos verbos, nos substantivos, nos pontos e em tudo. Porém não sejam extremistas: não é preciso estar chorando as pitangas para falar de tristeza, nem estar sorrindo de orelha à orelha para divagar sobre felicidade. Há momentos que não se pode abstrair, simplesmente. Né, Hamleeeeet?

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