Pular para o conteúdo principal

Hamlet me entende

          Eu ainda tô naquela vibe filosófica do texto e suas intrincadas correlações. Por que escrevê-lo? Aonde tudo vai? Ele ganha vida própria no instante em que é publicado, e vocês entendem o que querem? É tão curioso como seu processo de materialização é secreto, não tendo testemunha alguma além de quem o faz. "Há mais coisas entre o ato da escrita e a tela do computador do que sonha a vã filosofia de vocês." (#HamletFeelings #90Facts). Não resisti.
          No meu caso, são inúmeras as vivências tentando ter voz, ainda que, muitas vezes, fiquem mudas no melhor da polêmica. É simples: não é possível postar tudo fielmente com a crueza com que ocorre. Todavia, as entrelinhas estão aí, marcando presença, existindo um pouquinho em cada parágrafo percorrido. Misturando-se aos eufemismos bobos, às metáforas sem sentido, às hipérboles vaidosas, aos vícios de linguagem, a um corrosivo e agridoce jeito de ser... a uma particular e humana idiotice, enfim.
           Penso que, se eu estiver exultante, triste, resignada, intrigada, tranquila, infantil, adulta, coerente ou o escambau que for, tudo vai estar aqui - ainda que por linhas tortas. O fato é que o estado de espírito acompanha a narração do fato, a crônica, whatever, mas nem sempre está preso a uma impressão só; Nem sempre é fiel a um sentimento sozinho e cabô. O que eu tento, então, é uma reflexão bonitinha para tentar minimizar o gosto de cianureto de dentro da boca e ver se cola.   
           De alguma forma, eu e, vá lá, o que ficou pela metade vamos grudar nos verbos, nos substantivos, nos pontos e em tudo. Porém não sejam extremistas: não é preciso estar chorando as pitangas para falar de tristeza, nem estar sorrindo de orelha à orelha para divagar sobre felicidade. Há momentos que não se pode abstrair, simplesmente. Né, Hamleeeeet?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

5 ANOS DE BLOG - PARTICIPE DA PROMOSHARE

Hoje, nós da empresa, completamos 5 anos de blog. Vamos dar o play para entrar no clima:                         #POLÊMICA: sempre preferi o parabéns da Angélica em vez de o da Xuxa. O que não quer dizer que eu ame a Angélica, claro, por mim ela pode ir pra casa do caralho. ENFIM, VAMOS CELEBRAR! 5 ANOS DE MERDA ININTERRUPTA AQUI! UHUL, HEIN? Era 22 de dezembro de 2010, estava euzinha encerrando mais um semestre da faculdade de Jornalismo, meio desgraçada da cabeça (sempre, né), entediadíssima no Orkut, quando finalmente tomei coragem e decidi dar a cara a tapa. Trouxe todas as minhas tralhas para o Blogspot e a esperança de mudar alguma coisa. Infindáveis crônicas começaram a ganhar o mundo e a me deixar mais desgraçada da cabeça ainda: sei lá, escrever é uma forma de ficar nua, de se deixar analisar, de ser sincero até a última gota, e isso nem sempre é bom negócio. Mas, enfim, felizmente tenho sobrevivido sem gran...

Por um mundo

         Por um mundo onde velhos tarados nas esquinas transformem-se em Malvinos Salvadores e Jakes Gyllenhaals. Por um mundo onde as bases e demais esmaltes tenham duração infinita e não nos deixem a ver navios. Por um mundo onde as unhas não nos iludam que aguentam qualquer parada e sigam lindamente quadradas, fazendo a inveja alheia. Por um mundo onde pessoas tenham a língua grudada no céu da boca, se pensarem em fazer alguma fofoca. Por um mundo onde as mesmas pessoas não repassem boatos, tampouco aumentem fatos, cuja procedência desconhecem. E, não sabendo, que não falem, apenas mudem de assunto.                       Por um mundo onde moços que nos deixaram levitando de paixão, devido a uma fatalidade da vida, sejam acometidos pela mesmíssima paixão, grudem em nós, nos surpreendam com sua per...

Flores no lamaçal de creme de avelã

Tenho feito um severo exercício de autocrítica nos últimos tempos - exercício esse que, somado a um problema pessoal bem pontual, me deixou sem tesão algum de escrever. Mas voltei para uma transadinha rápida e certeira. Um mea culpa inspirado nos velhos tempos - desta vez sem o deboche costumeiro. Realmente quero me retratar. H á alguns meses, q uando escrevi, estupefata de indignações diversas, sobre youtubers, eu nunca estive tão certa do que escrevia. Sigo achando que o Youtube amplificou a voz dos imbecis e vem cooptando principalmente crianças a uma sintomática era da baboseira - entre trolladas épicas envolvendo mães e banheiras cheias de nutella , criou-se um nicho bizarro cujo terreno é a falta de discernimento infantil infelizmente. Só que foi aí que residiu meu erro: reduzir a plataforma a um lamaçal de creme de avelã - e nada mais. Não me ative ao fato de que ali coexistem muitos canais interessantíssimos sobre os mais diferentes ramos do conhecimento hum ano , inclusive...