quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Leozinho tem poder

           Eu sou patética. Irrecuperavelmente patética. Tanto, que, depois de um profundo exercício de monopólio do controle remoto (vulgarmente chamado como ato de zapear em frente à televisão), acabei assistindo ao Titanic, pela milionésima vez, em detrimento de tantos outros bons filmes - e para mim inéditos - que passavam simultaneamente. Me consola o fato de que, certamente, uma boa parcela de moças dispostas a chorar por Jack Dawson, novamente, também acabou prestigiando o filme do Sir James Cameron.
           Sejam tolerantes, poxa! Existe alguém que consiga ficar indiferente à história, às roupas puídas do Léo DiCaprio, ao amor dele e da Kate Winslet, à magnitude da produção, à adrenalina de imaginar que aquele navio, de fato, afundou e que cerca de 1500 pessoas perderam suas vidas nas gélidas águas do Atlântico Norte? Não, né? Eu, pelo menos, assim que vi estar passando, me senti inclinada a largar o que estava fazendo para acompanhar. E foi o que fiz. É uma das grandes obras-primas recentes do cinema, não se discute. Porém, não vou ficar aqui pagando pau para americano (ignorem as palavras açucaradas já escritas sobre a fita), mas sim utilizar um momento do filme como gancho para uma reflexão. Tentar extrair filosofia de onde, aparentemente, só sai glamour.
           Mais para o final, logo após Cal ter atirado diversas vezes contra Rose e Jack, os dois acabam voltando à parte do navio que já está imersa no oceano. Dão mil voltas e acabam encontrando Mr. Andrews, o responsável pela construção do titânico - que agora se vê engolido pelo iminente naufrágio. A moça troca algumas palavras de consolo com o projetista e, em seguida, é mostrado o futuro que aguarda tamanha suntuosidade: louças caríssimas quebradas, a mobília sendo devorada pela água, tudo, tudo, valendo praticamente nada diante de tanto desespero, diante da cruel constatação de que a elegância que pairava nos salões, uma semana atrás, nada mais era que a manifestação da miséria existencial das pessoas que dançavam neles.
            Foi aí que me assaltou o pensamento de que o ato de existir é muito mais que o “material”, as picuinhas e todas essas pequenezas diárias que insistem em roubar nosso sono. Principalmente, mais que a superestimação de certos fatos que, analisados de perto, não afetam em nada nossa paz. Minha mente ficou um bom tempo naquela cena, que foi sucedida por outras e outras, até o conhecido desfecho. A imagem do luxo ficando pequeno perante tamanha desolação. Por instantes, senti uma tristeza e fiquei avaliando a quantas andava o meu modo de encarar a vida.
            É, não posso negar que a sessão corujão, aparentemente inútil, acabou sendo de muita valia, uma vez que terminei a noite, enternecida pelo drama, jogada no sofá e entregue às lágrimas, vendendo paz e amor numa vibe angelical - ainda que, horas antes, estivesse enfurecida por conta de uma discussão de nível estratosférico. Incrível! Coisas que só um mocinho meigo e congelado faz pela gente.  
                                               

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